O FC Porto saiu do Fontelo com a quarta vitória consecutiva e mais um jogo sem sofrer, mas Francesco Farioli deixou Viseu sobretudo preocupado com as condições físicas de Zaidu e Jan Bednarek. O lateral saiu ainda na primeira parte e o treinador admitiu depois que a lesão «parece bastante séria», enquanto o central não regressou após o intervalo devido a um problema no joelho.
Zaidu já vinha sentindo limitações físicas desde o início da época e será avaliado para determinar a extensão do problema. Bednarek, por seu lado, sofreu um toque e pediu para sair. Farioli evitou antecipar consequências antes dos exames, mas deixou clara a importância de ter soluções preparadas.
A preocupação surge num momento particular da época. O FC Porto terá agora a última semana sem compromisso europeu antes de entrar num calendário de maior densidade, com jogos internacionais a juntarem-se à Liga.
«Precisamos de ter alternativas e essas alternativas precisam de provar que estão no nível certo», afirmou Farioli, que voltou a sublinhar a importância da frescura física quando a equipa passar a jogar duas vezes por semana.
O treinador espera também pelo encerramento do mercado para estabilizar definitivamente o grupo. Admitiu que os últimos dias serão «loucos» e confirmou que o clube sabe aquilo de que necessita, embora tenha recusado antecipar entradas.
A vitória em Viseu deu-lhe, ainda assim, várias respostas positivas. O FC Porto marcou nas três grandes oportunidades criadas durante a primeira parte e conseguiu depois controlar o encontro sem permitir uma verdadeira reação do Académico.
Farioli destacou sobretudo o comportamento coletivo sem bola. A equipa continua sem sofrer na Liga e o treinador atribuiu esse registo ao trabalho de todos, acrescentando a segurança oferecida por Diogo Costa quando é chamado a intervir.
Gabri Veiga personificou a qualidade ofensiva da primeira parte. O médio espanhol marcou o segundo golo, assistiu William Gomes no terceiro e recebeu o prémio de melhor jogador da partida.
O espanhol explicou que a combinação que originou o 0-3 não foi ocasional. O FC Porto trabalha a entrada do extremo no espaço contrário e Gabri sabia onde William Gomes surgiria antes de executar o passe. «Treinamos muito estas situações», explicou.
Mesmo depois de uma exibição determinante, Gabri recusou qualquer ideia de trabalho concluído. Disse sentir-se progressivamente melhor, mas insistiu que ainda tem margem para crescer e que a época está apenas a começar.
Do lado do Académico, a leitura foi muito diferente. Bruno Pinheiro reconheceu uma primeira parte insuficiente e corrigiu a estrutura ao intervalo, passando para uma linha defensiva de cinco. O treinador viseense considerou que essa alteração permitiu à equipa controlar melhor a largura e jogar mais perto da baliza portista.
Luís Silva foi ainda mais direto sobre os primeiros 45 minutos. O capitão admitiu que o Académico não igualou os duelos, a intensidade e a agressividade do FC Porto e considerou que essa diferença ficou refletida no resultado ao intervalo.
Para o FC Porto, o 3-0 prolonga um início de campeonato perfeito. Para Farioli, porém, o próximo problema começou antes do final do jogo: perceber durante quanto tempo poderá ficar sem Zaidu e se Bednarek estará disponível quando o calendário deixar de oferecer semanas completas de preparação.















