A arbitragem do Benfica-Estoril não teve um erro com influência direta no resultado. Os principais contactos dentro das áreas foram avaliados de forma coerente, o VAR não encontrou motivo para alterar as decisões tomadas no relvado e nenhuma das situações mais discutidas reúne elementos suficientes para justificar uma grande penalidade.
O primeiro momento relevante aconteceu ainda na primeira parte, num choque entre Leandro Barreiro e Xeka dentro da área do Estoril.
Os dois jogadores deslocam-se em direção à bola e procuram ocupar o mesmo espaço. Existe contacto, mas resulta essencialmente da convergência dos movimentos e não de uma carga, rasteira ou agarrão que impeça claramente Barreiro de disputar a jogada.
Mandar seguir foi a decisão adequada.
Pouco depois surgiu uma situação diferente, desta vez fora da área.
Prestianni procurava receber em progressão quando foi travado por Ricard Sánchez. O Benfica conservou a posse e a vantagem permitiu não interromper imediatamente o ataque, mas isso não eliminava a possibilidade de sancionar disciplinarmente o defesa no final da jogada.
A ação impediu um movimento promissor e justificava amarelo.
Foi aqui que a arbitragem ficou curta.
Na segunda parte, outro lance dentro da área voltou a exigir leitura técnica.
Samuel Soares saiu para afastar uma bola aérea disputada por Sierra. O guarda-redes chegou primeiro ao esférico e o contacto posterior nasceu da continuidade dos dois movimentos. Não existe uma ação autónoma do guarda-redes destinada a atingir o adversário depois de jogar a bola.
Também aqui não havia fundamento para penálti.
Mais tarde, num canto do Benfica, Leandro Barreiro voltou a cair dentro da área num lance com contacto durante a disputa de posição.
Há agarrões e bloqueios próprios da concentração de jogadores numa bola parada, mas não se identifica uma ação suficientemente clara e determinante para transformar o contacto numa infração punível com grande penalidade.
A ausência de intervenção do VAR foi, por isso, coerente.
O videoárbitro não existe para substituir a interpretação do árbitro em todos os contactos. Só deve intervir quando existe um erro claro numa das situações previstas pelo protocolo. Nenhum dos lances de área atingiu esse limiar.
A arbitragem foi mais permissiva no plano disciplinar.
O encontro teve vários contactos destinados a interromper progressões e algumas entradas que podiam ter recebido amarelo mais cedo. Essa tolerância não modificou o resultado, mas retirou consistência à gestão disciplinar.
O critério nas áreas foi melhor do que o critério dos cartões.
No essencial, porém, Benfica e Estoril decidiram o encontro através do futebol.
Não houve um penálti por assinalar, uma expulsão determinante ou uma intervenção errada do VAR capaz de deslocar para a arbitragem a explicação do 2-1.















