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Navegação principal da época 2026/27.

Suárez, Gabri Veiga e Francisco Domingues dão forma ao onze da quarta jornada

O Sporting coloca dois jogadores numa equipa construída pelo impacto real nos jogos. Há espaço para quem marcou, para quem decidiu sem marcar e até para um guarda-redes derrotado que impediu o resultado de contar uma história diferente.

A equipa da Jornada 04 não é uma coleção dos onze jogadores que marcaram mais golos nem uma recompensa automática para quem venceu. Procura identificar quem teve influência suficiente para mudar um jogo, sustentar uma vantagem, resolver um problema ou impedir que o resultado fosse diferente.

O desenho escolhido é um 4x2x3x1.

Na baliza entra Joel Robles. O Estoril perdeu na Luz, mas o guarda-redes foi uma das razões pelas quais um jogo amplamente dominado pelo Benfica chegou aos minutos finais ainda separado por apenas um golo. Quando a equipa já não conseguia impedir as entradas encarnadas, foi Robles quem continuou a impedir que o marcador acompanhasse a diferença existente no campo.

À direita da defesa fica Rodrigo Pinheiro. Num dérbi em que Famalicão e Gil Vicente produziram pouco junto das balizas, o lateral famalicense ofereceu consistência defensiva, disponibilidade para avançar e uma das exibições mais completas de um jogo em que quase todos os desequilíbrios foram anulados antes de nascerem.

No eixo entra Zeno Debast. O Sporting construiu o 4-0 em Vila do Conde através do ataque, mas a exibição mais completa da época também ficou marcada pela primeira capacidade clara para conservar o equilíbrio durante os 90 minutos. Debast foi parte dessa estabilidade: agressivo quando precisava de antecipar e suficientemente sereno para impedir que a vantagem transformasse o jogo numa sucessão de transições.

Ao lado surge Vítor Carvalho. O dérbi minhoto pediu aos centrais do Braga concentração até ao último minuto. O Vitória cresceu depois do intervalo e terminou a procurar a área através de jogo mais direto, mas encontrou uma defesa que não perdeu posição quando o encontro passou da procura do golo para a proteção do 1-0.

Francisco Domingues completa a defesa e é impossível separar a escolha do momento que decidiu o Casa Pia-Moreirense. O lateral marcou de letra um dos golos da temporada, mas a presença neste onze não resulta apenas da beleza. Aquele foi o único golo de um jogo em que o Moreirense precisou depois de defender durante largos períodos. Domingues decidiu numa baliza e respondeu na outra.

No meio-campo, Espen van Ee representa aquilo que Arouca conseguiu mudar durante o próprio jogo. O Marítimo tinha encontrado espaço para ferir a pressão arouquense e chegou primeiro ao golo. Van Ee marcou o empate ainda antes do intervalo e ajudou a devolver equilíbrio a uma equipa que percebeu onde estava a perder o encontro e corrigiu-o antes que fosse tarde.

Ao lado está João Palhinha. A estreia pelo Benfica chegou mais cedo do que estava planeada, depois da lesão de Barrenechea, e não precisava de produzir um golo para modificar o jogo. Entrou com intensidade, encurtou transições, ganhou duelos e acelerou ações num encontro em que o Estoril tentava precisamente retirar velocidade à circulação encarnada. Ainda há relações com bola por construir, mas a influência apareceu imediatamente.

Mais à frente, Gabri Veiga ocupa o centro da criação. O FC Porto resolveu o jogo em Viseu ainda durante a primeira parte e o espanhol esteve no centro dessa capacidade para transformar domínio em vantagem antes que o Académico tivesse tempo para equilibrar o encontro. Foi uma exibição de influência sobre o ritmo, chegada à área e ligação entre os diferentes momentos ofensivos dos dragões.

À direita aparece Flávio Gonçalves. Aos poucos deixou de ser apenas o jovem que aproveita uma oportunidade para passar a ser uma das razões pelas quais o Sporting está a jogar desta maneira. Em Vila do Conde voltou a aparecer onde o jogo precisava dele, abriu o marcador e participou diretamente na aceleração que destruiu o equilíbrio do Rio Ave ainda durante a primeira parte.

Gabriel Silva ocupa o lado contrário. No dérbi do Minho foi durante muito tempo a forma mais constante de o Braga deslocar a organização do Vitória. Atacou o corredor, obrigou a defesa a ajustar-se sucessivamente e esteve também na origem da ação que permitiu a Diego Rodrigues encontrar o espaço do golo decisivo. Nem sempre a influência de um extremo aparece no marcador.

Na frente não há discussão possível.

Luis Suárez marcou duas vezes nos Arcos e transformou uma primeira parte de superioridade leonina numa goleada resolvida antes do intervalo. Mais importante do que o bis foi a variedade: apareceu dentro da área, atacou profundidade, associou-se e marcou também quando recebeu fora da zona habitual de finalização. O Sporting encontrou nele não apenas quem acaba as jogadas, mas alguém que ajuda a construí-las.

Diego Rodrigues, Leandro Antonetti, Vivaldo Semedo, Brenner e Iván Barbero ficaram muito perto. Todos decidiram ou alteraram diretamente os respetivos jogos. Diego, sobretudo, produziu talvez o momento mais importante do dérbi minhoto, mas entrou apenas aos 72 minutos. Para esta escolha, o impacto enorme de uma ação não apaga completamente o peso de uma exibição inteira.

É também essa a ideia do onze.

Há jogadores que entram porque marcaram.

Outros porque impediram que alguém marcasse.

E há aqueles que fizeram o jogo começar a acontecer de outra maneira.

A equipa da Jornada 04 é esta: Joel Robles; Rodrigo Pinheiro, Zeno Debast, Vítor Carvalho e Francisco Domingues; Espen van Ee e João Palhinha; Flávio Gonçalves, Gabri Veiga e Gabriel Silva; Luis Suárez.