José Mourinho regressou ao Real Madrid treze anos depois e precisou de três jornadas para começar a alterar a perceção em torno de uma equipa que vinha de duas temporadas sem títulos. Nove pontos em nove possíveis são o resultado visível; a imprensa espanhola identifica já mudanças mais profundas na atitude, na utilização do plantel e na proteção defensiva.
A análise começa num indicador elementar: Thibaut Courtois está a ser menos solicitado. O guarda-redes realizou apenas cinco defesas nas três primeiras jornadas e ainda não precisou de sustentar a equipa através das intervenções extraordinárias que se tinham tornado frequentes.
Não significa que o Real Madrid já seja uma equipa defensivamente perfeita. Significa que o adversário está a chegar menos vezes a situações em que Courtois precisa de corrigir aquilo que falhou antes dele.
Jude Bellingham representa a mudança mais evidente no plano individual.
Mourinho retirou ao inglês várias das responsabilidades que o empurravam para zonas exteriores e devolveu-lhe uma posição mais influente no centro. O treinador explicou depois que já tinha identificado, enquanto orientava o Benfica, a vulnerabilidade criada quando Bellingham era obrigado a defender praticamente como um segundo lateral-esquerdo.
Fede Valverde também regressou ao território onde mais influencia o jogo. Depois de uma época em que foi repetidamente utilizado como lateral, voltou ao meio-campo e recuperou capacidade para pressionar, transportar e acelerar.
Nas próprias laterais existe agora aquilo que faltava: concorrência específica. Dumfries e Alexander-Arnold disputam a direita, Cucurella acrescentou alternativa à esquerda e Mourinho deixou de precisar de resolver problemas estruturais através de adaptações permanentes.
Outro sinal está no banco.
Dezoito jogadores já foram utilizados nas primeiras três jornadas e praticamente todos os elementos disponíveis tiveram minutos. A intenção do treinador é manter a segunda unidade ligada ao processo, evitando uma divisão precoce entre titulares indispensáveis e suplentes distantes da competição.
A mudança mais difícil de medir é a atitude. A equipa mostra-se mais disponível para reagir à perda e mais exigente mesmo quando o resultado está controlado.
Por fim, mudou o ambiente.
O Bernabéu que terminou a época passada desconfiado voltou a acreditar que o treinador tem autoridade para reconstruir a equipa.
Três vitórias não resolvem as fragilidades de duas temporadas. Mas já oferecem uma primeira diferença importante: o Real não está apenas a ganhar os mesmos jogos da mesma maneira.
Começa a parecer outra equipa.















