O Sporting fez em Vila do Conde o jogo mais sólido do início da época e construiu a goleada por 4-0 antes de chegar ao intervalo. Mais do que os quatro golos em 37 minutos, foi a forma como impediu o Rio Ave de transformar posse em perigo que explicou uma diferença que nasceu da eficácia, mas não se esgotou nela.
Rui Borges preparou a equipa para retirar ao adversário precisamente aquilo que poderia mantê-lo no jogo. O Sporting pressionou bem após a perda, ganhou os primeiros duelos e as segundas bolas e conseguiu recuperar posições rapidamente sempre que o Rio Ave procurou acelerar. O treinador queria evitar que a equipa de Sotiris Silaidopoulos acreditasse através das transições e encontrou uma resposta coletiva muito mais equilibrada do que nos encontros anteriores.
O primeiro golpe surgiu aos cinco minutos. Issa Doumbia encontrou Flávio Gonçalves nas costas da defesa e o jovem, isolado diante de Van der Gouw, colocou o Sporting em vantagem. O Rio Ave ainda tentou circular e instalar-se com bola, mas sem conseguir aproximar-se com perigo da baliza de Rui Silva.
O contraste tornou-se evidente quando o Sporting voltou a acelerar. Aos 19 minutos, Flávio conduziu uma transição e serviu Geny Catamo para o 0-2. Sete minutos depois, Luis Suárez aproveitou a recarga a um remate de Geny ao poste e fez o terceiro.
O quarto golo mostrou outra dimensão da superioridade leonina. Suárez iniciou a jogada, combinou com Flávio Gonçalves, apareceu depois na zona de finalização após a intervenção de Maxi Araújo e rematou de primeira para bisar aos 37 minutos.
O Rio Ave chegou ao intervalo sem encontrar resposta para a velocidade com que o Sporting passava da recuperação da bola para o ataque. Silaidopoulos reconheceu depois que a equipa tinha preparado durante a semana as transições ofensivas dos leões, mas não conseguiu impedir que esse momento do jogo produzisse grande parte dos problemas da primeira parte.
Com o resultado resolvido, o segundo tempo mudou de natureza. O Sporting baixou o ritmo sem perder o controlo, protegeu melhor os espaços e não permitiu que o Rio Ave transformasse a maior disponibilidade para ter bola numa ameaça real.
Rui Borges aproveitou também a vantagem para alterar a equipa e testar durante alguns minutos uma estrutura com dois avançados. O essencial, porém, já estava feito: pela primeira vez esta época, o Sporting terminou um jogo sem sofrer e Rui Silva não teve de responder a qualquer remate enquadrado.
A goleada deixou ainda duas afirmações individuais. Flávio Gonçalves voltou a responder à aposta com um golo e uma assistência, enquanto Suárez marcou duas vezes e chegou aos três golos no campeonato. Mas a principal diferença esteve no coletivo. O Sporting foi mais rápido a reagir, mais competente sem bola e suficientemente eficaz para transformar essa superioridade num jogo praticamente decidido antes do intervalo.















