Rui Borges considerou o triunfo por 4-0 sobre o Rio Ave a exibição mais completa e equilibrada do Sporting neste início de época, mas recusou transformar a goleada numa conclusão definitiva sobre o crescimento da equipa.
«Nem estava tudo errado nos outros jogos, nem está tudo certo agora», resumiu o treinador, depois de uma partida em que o Sporting resolveu o resultado na primeira parte e conseguiu pela primeira vez esta temporada terminar sem sofrer golos.
A prioridade estabelecida antes do encontro era impedir que o Rio Ave ganhasse confiança através das transições. Rui Borges explicou que queria uma entrada forte e uma equipa capaz de mandar no jogo, mas destacou sobretudo aquilo que aconteceu quando o Sporting perdia a bola.
A competência nos primeiros duelos e nas segundas bolas, acompanhada pela recuperação rápida dos médios e da linha defensiva, permitiu manter o adversário afastado da baliza de Rui Silva. Para o treinador, foi esse equilíbrio entre os diferentes momentos que tornou a exibição distinta das anteriores.
Nem por isso deixou de apontar falhas. Geny Catamo e Flávio Gonçalves perderam algumas bolas que Rui Borges considerou evitáveis e o técnico insistiu que o resultado não elimina o trabalho ainda por fazer.
Flávio foi, aliás, um dos protagonistas da noite. Marcou o primeiro golo e assistiu Geny no segundo, mas recebeu do treinador uma exigência proporcional ao talento que lhe reconhece. Rui Borges revelou, em tom de brincadeira, que disse ao jovem que pagaria 100 euros por cada passe falhado e definiu-o como um jogador diferenciado, ainda com grande margem de progressão.
Também Luis Suárez saiu reforçado de Vila do Conde. O colombiano bisou e Rui Borges rejeitou qualquer leitura da titularidade relacionada com uma eventual saída no mercado. Disse que o avançado é jogador do Sporting, que sempre foi opção e que está progressivamente a recuperar a melhor forma.
O 4-0 permitiu ainda uma experiência que o contexto do jogo tornou possível. Durante alguns minutos, o Sporting atuou com dois avançados, uma solução que Rui Borges admitiu ter testado porque a equipa mantinha o controlo e não estava a sofrer defensivamente.
A goleada não alterou, porém, o diagnóstico mais amplo do treinador. Rui Borges continua a falar num grupo jovem em processo de crescimento e espera novos momentos de dificuldade ao longo da época. Vila do Conde mostrou-lhe que a equipa já consegue juntar eficácia ofensiva, reação à perda e controlo defensivo no mesmo jogo. O desafio passa agora por repetir esse equilíbrio quando o contexto for menos favorável.















