O primeiro golo do FC Porto nasce de um lance que devia ter sido interrompido por falta de William Gomes sobre Gustavo Costa. Antes de a bola chegar a Pablo Rosario e do cruzamento que André Silva transformou no 0-1, o extremo portista agarra ostensivamente o adversário e impede-o de continuar a disputar a jogada.
Não é um contacto normal de futebol nem um simples corpo a corpo. William Gomes não está a tentar chegar à bola nem a proteger uma posição conquistada. Usa os braços para prender Gustavo Costa e retirá-lo do lance. É uma ação suficientemente clara para justificar a marcação de falta.
Miguel Nogueira deixou seguir. O VAR, Pedro Ferreira, analisou a jogada e não recomendou a revisão no monitor, pelo que o golo foi validado.
A decisão teve peso imediato no encontro. O FC Porto chegou à vantagem aos cinco minutos e encontrou muito cedo o contexto de jogo que procurava, enquanto o Académico de Viseu ficou obrigado a correr atrás do resultado.
Bruno Pinheiro contestou precisamente esse momento depois do encontro. O treinador viseense considerou que existe falta sobre Gustavo Costa e criticou aquilo que entende serem diferenças de critério nas arbitragens sofridas pelo Académico neste início de campeonato.
Luís Silva evitou classificar diretamente o lance, mas deixou igualmente expressa a insatisfação da equipa com as decisões das primeiras jornadas, afirmando que o Académico deveria somar cinco pontos em vez dos dois que tem.
Do lado portista, Francesco Farioli recusou prolongar a discussão e remeteu para as imagens e para a decisão tomada pela equipa de arbitragem.
José Leirós, especialista de arbitragem da Renascença, teve uma leitura diferente da nossa e considerou legal o primeiro golo. É uma divergência legítima de interpretação, mas neste lance a imagem parece suficientemente esclarecedora: William Gomes segura o adversário de forma continuada, não disputa a bola e retira-lhe a possibilidade de intervir na jogada.
Esse é o elemento decisivo. No futebol há contactos que fazem parte da disputa normal de espaço e outros em que um jogador utiliza os braços apenas para impedir o movimento do adversário. Este pertence à segunda categoria.
O lance devia, por isso, ter sido interrompido antes do cruzamento de Rosario e o primeiro golo do FC Porto não deveria ter sido validado.
A restante arbitragem não teve casos com impacto semelhante no resultado. José Leirós considerou legais os três golos portistas, mas apontou falhas na componente disciplinar e entendeu que ficaram por mostrar alguns cartões amarelos.
O principal erro, porém, aconteceu cedo e teve consequência direta no marcador: um agarrão visível no início da jogada que árbitro e VAR entenderam não ser suficiente para marcar falta.















