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Nacional acelerou quando podia controlar e o Estrela castigou duas perdas para vencer na Choupana

Wesley Gasolina marcou aos três minutos, mas o penálti antes do intervalo retirou tranquilidade aos madeirenses. Marcus virou em transição, Pablo Ruan ainda respondeu e Antonetti decidiu o 3-2 aos 83 minutos.

O Nacional teve o jogo onde queria quase desde o primeiro instante e acabou por perdê-lo precisamente quando deixou de precisar de correr. A equipa de João Gião marcou aos três minutos, encontrou espaço para circular perante um Estrela da Amadora pouco pressionante e podia ter transformado essa vantagem numa partida de controlo. Fez o contrário: acelerou demasiadas vezes, perdeu bolas em zonas perigosas e ofereceu ao adversário as transições que acabaram por decidir o 2-3 na Choupana.

O início dificilmente poderia ter sido melhor para os madeirenses. William Kokolo recebeu pela esquerda e colocou um cruzamento profundo no lado contrário, onde Wesley Gasolina apareceu com espaço para cabecear de cima para baixo e bater Léo Linck. Três minutos, primeira aproximação séria, 1-0.

A vantagem permitia ao Nacional escolher o ritmo. O Estrela não subia agressivamente a primeira linha de construção e deixava espaço para os centrais e médios receberem. Foi exatamente aí que João Gião encontrou depois um dos problemas do jogo: em vez de usar esse espaço para fazer a bola circular e obrigar o adversário a deslocar-se, a sua equipa procurou demasiadas vezes acelerar através de passes longos.

Ainda assim, foi o Nacional quem esteve mais perto do segundo durante a primeira parte. Aos 36 minutos, Pablo Ruan respondeu acrobaticamente a um passe de Léo Santos e obrigou Léo Linck a uma grande defesa, com a bola ainda a tocar no poste. Do outro lado, o Estrela começava lentamente a encontrar Antonetti entre os centrais e Marcus em zonas de transição, mas sem alterar o marcador.

Tudo mudou no último minuto antes do intervalo.

Uma nova tentativa de progressão demasiado rápida terminou com a bola novamente do lado do Estrela. Robinho entrou na área e Zé Vítor empurrou-o pelas costas. Carlos Macedo assinalou grande penalidade, decisão coerente com as imagens do lance, e mostrou amarelo ao defesa. Ianis Stoica bateu forte e fez o 1-1 aos 45+1. O Estrela chegou ao intervalo empatado sem ter sido superior durante grande parte da primeira parte, mas tinha conseguido transformar a precipitação do Nacional numa oportunidade limpa para regressar ao jogo.

João Gião identificou precisamente esse momento como decisivo. O treinador considerou que a equipa tinha espaço para jogar e não precisava de procurar tantas bolas longas, lembrando que a jogada que originou o penálti nasceu dessa escolha. A vantagem que poderia ter dado serenidade passou assim a produzir intranquilidade.

Na segunda parte, o Nacional voltou a tentar assumir a iniciativa, mas o Estrela estava agora muito mais confortável com o tipo de jogo que se instalara. Quando os madeirenses perderam novamente a bola aos 62 minutos, Abraham Marcus encontrou o campo que procurava desde o início. Recuperou ainda no meio-campo tricolor, arrancou quase sem oposição e percorreu dezenas de metros antes de finalizar rasteiro diante de Renato Marín. Era o 1-2 e a primeira reviravolta do encontro.

Desta vez, porém, a resposta do Nacional foi imediata.

Quatro minutos depois, Liziero ganhou de cabeça e colocou a bola nas costas de Luan Patrick. Pablo Ruan atacou o espaço e finalizou para o 2-2. O VAR verificou a jogada e confirmou o golo. O Nacional tinha recuperado em poucos minutos aquilo que perdera numa transição e o jogo regressava ao ponto de partida.

A igualdade não corrigiu, contudo, o problema estrutural.

O jogo estava cada vez mais partido e isso favorecia uma equipa do Estrela construída para atacar espaço com Marcus, Doué e Antonetti. O Nacional continuou a tentar chegar depressa à área contrária, mas cada perda deixava metros disponíveis nas costas da primeira pressão.

Aos 83 minutos apareceu a consequência final. Eddy Doué recebeu pela direita, levantou a cabeça e cruzou para o coração da área. Antonetti atacou o espaço entre os defensores com mais velocidade e antecipação, cabeceando para o 2-3. O porto-riquenho marcou pelo terceiro jogo consecutivo e transformou uma tarde de equilíbrio na primeira vitória do Estrela no campeonato.

O VAR ainda foi chamado nos minutos finais, sem alterar qualquer decisão, e o Nacional não voltou a encontrar uma oportunidade semelhante àquela que Pablo Ruan aproveitara.

A arbitragem não explica a derrota madeirense. O penálti que originou o empate resulta de um empurrão visível de Zé Vítor sobre Robinho, enquanto as posteriores verificações do VAR mantiveram as decisões tomadas no relvado. Carlos Macedo teve um jogo com intervenção relevante precisamente no momento que alterou o encontro, mas não há fundamento para deslocar para aí a origem do resultado.

João Gião encontrou-a noutro lugar: «Duas perdas de bola nossas acabaram por ditar o resultado». A frase resume melhor o encontro do que os cinco golos. O Nacional não perdeu porque tivesse sido permanentemente dominado. Perdeu porque não soube perceber quando a vantagem exigia pausa e quando a igualdade exigia proteção contra a transição.

O Estrela fez o percurso contrário. Depois de dois empates por 2-2, encontrou finalmente uma forma de transformar os momentos de desorganização do adversário em três pontos. Soma cinco, ainda com um jogo em atraso, enquanto o Nacional permanece com quatro e sofre a segunda derrota consecutiva.