Luís Castro aceita que o trabalho seja criticado. Recusa que uma má classificação transforme a ofensa pessoal numa parte normal do futebol.
O treinador português reagiu com dureza depois da derrota por 1-0 frente ao Bragantino, novo resultado negativo numa campanha que mantém o Grémio perto da zona mais perigosa do Brasileirão.
Na conferência de imprensa, Castro não tentou esconder as dificuldades da equipa.
Reconhece que a campanha está abaixo daquilo que o clube exige e sabe que a posição do treinador depende de resultados. O protesto foi dirigido não à crítica, mas à linguagem utilizada para a fazer.
“Há várias formas de criticar o trabalho de um treinador. Não é preciso ofendê-lo”, afirmou.
A contestação já tinha atingido níveis particularmente agressivos na Arena do Grémio, onde o português ouviu cânticos dirigidos diretamente contra si durante a eliminação na Taça Sul-Americana.
Castro recuperou então uma reflexão recente de Abel Ferreira, mas alterou-lhe o alvo.
“Não é o futebol que está doente, são as pessoas que estão doentes. As pessoas que estão no futebol.”
O treinador insistiu na dimensão humana de quem trabalha dentro do jogo. Treinadores e jogadores têm famílias, filhos, pais e irmãos e, para Castro, essa realidade não desaparece quando alguém entra num estádio.
A frase mais ampla surgiu depois.
“A sociedade perdeu o respeito por tudo e por todos.”
Luís Castro sabe que o desabafo não lhe comprará tranquilidade. Antecipou mesmo que poderá ser acusado de vitimização.
A única forma de reduzir a pressão continuará a ser muito menos filosófica: ganhar jogos.















