Três jornadas, três vitórias e nenhum golo sofrido. O FC Porto começou a defesa do título nacional com a mesma segurança competitiva que André Villas-Boas atribui à transformação conduzida por Francesco Farioli, mas o presidente recusa que o arranque seja confundido com uma obra terminada.
A vitória por 2-0 sobre o Arouca reforçou essa mensagem.
Os dragões encontraram resistência durante mais de uma hora, mantiveram a organização e acabaram por transformar a superioridade numa terceira vitória consecutiva. O resultado prolongou o início perfeito no campeonato e manteve intacta a baliza portista.
Para Villas-Boas, mais importante do que a sequência está a forma como a equipa a construiu.
O presidente destaca compromisso, solidariedade, disciplina e capacidade de adaptação às exigências de cada jogo. São características que associa diretamente ao trabalho de Farioli e ao método que o treinador conseguiu instalar no grupo.
A avaliação ultrapassa o presente campeonato.
Villas-Boas atribui ao técnico italiano um papel determinante na recuperação competitiva do FC Porto, primeiro com a conquista do título nacional e depois com a Supertaça. O elogio central, porém, não é dirigido aos troféus.
É dirigido à reação depois de os ganhar.
Segundo o presidente, o sucesso imediato não reduziu a exigência de Farioli. Aumentou-a. É essa resposta que Villas-Boas pretende transformar numa cultura permanente dentro da equipa: nenhuma vitória garante a seguinte e cada resultado positivo deve aumentar, não diminuir, a responsabilidade.
Daí o aviso contra a euforia.
O FC Porto começou bem, mas Villas-Boas lembra que um campeonato não se decide em agosto. A defesa do título exige uma época inteira de concentração, humildade e trabalho, precisamente num momento em que os resultados poderiam facilitar o excesso de confiança.
A intervenção presidencial alarga-se depois ao próprio campeonato.
Villas-Boas critica novamente a existência de relvados que considera incompatíveis com uma competição profissional, bancadas demasiado vazias e transmissões televisivas incapazes de valorizar adequadamente o espetáculo.
A versão mais recente do seu discurso torna essa crítica especialmente clara: existe, na sua perspetiva, uma distância demasiado grande entre a imagem de modernidade que o futebol português procura vender e as condições efetivamente oferecidas em vários jogos.
Para um campeonato que pretende crescer, internacionalizar-se e aumentar o valor dos direitos televisivos, o presidente do FC Porto considera insuficiente aceitar campos degradados, estádios com pouca gente e uma apresentação televisiva que amplifica a sensação de vazio.
Não apresenta essa exigência como uma tentativa de diminuir a Liga.
Apresenta-a precisamente como o contrário: obrigar a competição a aproximar a qualidade do produto da qualidade dos jogadores que nela participam.
A mesma ideia atravessa a leitura que Villas-Boas faz do FC Porto.
Dentro do clube, identifica em Farioli método, disciplina e continuidade. Fora dele, vê excesso de ruído, suspeição e disputa de narrativa. A resposta proposta é trabalhar mais, explicar quando for necessário e fazer dos resultados o argumento mais difícil de contestar.
O início oferece razões para confiança.
Villas-Boas prefere transformá-las em exigência.
O FC Porto começou bem.
Apenas começou.















