Ennio van der Gouw; Alberto Costa, Weverson e Tony Strata; Geny Catamo, Sergi Altimira, Gabri Veiga e Miguel Nogueira; Jalen Blesa, Héctor Hernández e Gonçalo Paciência. É este, para já, o nosso onze da terceira jornada da Liga.
Não há um clube dominante. Há cinco equipas com dois representantes e um Santa Clara que entra através do homem que lhe continua a resolver jogos. O resultado é um 3-4-3 com capacidade para defender, transportar, pensar e acelerar, mas sobretudo com jogadores que tiveram influência concreta no que aconteceu às respetivas equipas.
Na baliza, Van der Gouw foi determinante para o primeiro triunfo do Rio Ave. O Estoril produziu suficiente para marcar, mas encontrou um guarda-redes que respondeu seis vezes e protegeu uma vantagem construída com muito menos volume ofensivo. Num jogo destes, uma baliza a zero não é apenas estatística defensiva: é intervenção.
Alberto Costa entra pela direita de uma defesa de três. O FC Porto controlou completamente o Arouca e o lateral ajudou a sustentar essa superioridade ganhando oito dos onze duelos em que participou. Farioli pôde manter a equipa alta porque, atrás, Alberto dava resposta quando era necessário travar transições ou recuperar rapidamente a posse.
Weverson ocupa o centro. O Gil Vicente voltou a não sofrer e o brasileiro foi uma das razões para o Casa Pia passar grande parte do encontro sem conseguir transformar posse em perigo. Defendeu sem ansiedade e, quando teve bola, quase não a entregou ao adversário.
Tony Strata completa o trio depois de uma exibição muito completa no primeiro triunfo do Vitória. Recuperou oito bolas, fez três alívios e acrescentou oito transportes progressivos. É precisamente esta última dimensão que lhe garante o lugar: não se limitou a resolver problemas, ajudou a transportar a equipa para fora deles.
O meio-campo tem provavelmente a maior concentração de qualidade da jornada.
Geny Catamo foi uma das principais fontes de aceleração do Sporting diante do Alverca. Criou o lance que terminou no autogolo de Matheus Mendes e serviu Luis Suárez para o terceiro. Num jogo em que Rui Borges procurava uma equipa menos oscilante, Geny foi simultaneamente profundidade e último passe.
Altimira fez algo diferente. Organizou.
Completou 84 dos 86 passes, acertou os oito passes longos que tentou e também os 11 destinados ao último terço. À precisão juntou cinco interceções e sete recuperações. Não precisou de marcar nem assistir para dominar uma zona onde o Sporting ainda está a reconstruir-se depois da saída de Hjulmand.
Ao lado dele está Gabri Veiga, a principal figura deste onze.
O FC Porto passou mais de uma hora a procurar uma brecha no bloco do Arouca e foi o espanhol quem finalmente a encontrou. O golo aos 67 minutos foi o momento decisivo, mas a exibição foi maior do que esse remate: Gabri recebeu entre linhas, aproximou o jogo do ataque e manteve critério quando a sucessão de oportunidades desperdiçadas podia ter empurrado a equipa para a precipitação.
Miguel Nogueira fecha o meio-campo e talvez seja a maior novidade individual da jornada.
Na primeira titularidade da temporada, assistiu Gustavo Silva aos quatro minutos e conquistou o penálti que Samu não conseguiu converter. Já tinha entrado muito bem contra o Sporting e confirmou frente ao Nacional que Tiago Margarido encontrou um jogador capaz de provocar desequilíbrios sem precisar de ocupar sempre a mesma zona.
Na frente, Blesa entra pela esquerda depois de colocar a assinatura nos dois golos do Rio Ave na Amoreira. Marcou um e ofereceu o outro. Numa equipa que não teve necessidade de dominar territorialmente o Estoril, foi o jogador que transformou poucas chegadas em vantagem efetiva.
Héctor Hernández ocupa o centro.
O espanhol serviu Gil Martins para o primeiro golo do Gil Vicente e marcou o segundo de grande penalidade. A sua influência, porém, começou antes da finalização: deu à equipa uma referência na frente e libertou Gil Martins para aparecer entre linhas, precisamente na zona onde o Casa Pia teve mais dificuldades durante a primeira parte.
Gonçalo Paciência completa o onze porque continua a decidir.
O Santa Clara derrotou o Famalicão por 1-0 e o único golo voltou a ser do avançado português. São quatro em três jornadas e três jogos consecutivos a marcar. Nem sempre o melhor ponta de lança da jornada é aquele que mais participa na construção. Às vezes é aquele que reconhece o momento em que o jogo lhe pede uma única coisa e a executa.
William Gomes, Gustavo Silva e Gil Martins ficam imediatamente atrás. O brasileiro do FC Porto assistiu Gabri e criou outras duas grandes oportunidades; Gustavo resolveu cedo o Vitória-Nacional; Gil Martins marcou com qualidade e deu mobilidade ao ataque gilista.
A escolha cruza produção estatística com aquilo que cada jogador efetivamente fez ao jogo. Recuperações e duelos têm peso quando a função é defender; progressão, passes que quebram linhas e criação ganham importância mais à frente; golos, assistências e grandes ocasiões contam, mas não apagam os restantes 89 minutos. E um momento decisivo pesa mais quando altera verdadeiramente o resultado.
Daí sair uma equipa com um curioso toque espanhol. Alberto Costa não entra nessa conta, mas Altimira, Gabri Veiga, Blesa e Héctor Hernández dão ao onze uma forte presença do futebol espanhol, sobretudo no momento de pensar e executar no último terço.
O FC Porto coloca Alberto e Gabri. O Sporting responde com Geny e Altimira. O Vitória apresenta Strata e Nogueira, o Gil Vicente Weverson e Héctor, e o Rio Ave Van der Gouw e Blesa. Paciência representa sozinho o Santa Clara.
É um onze provisório por uma razão simples: Estrela da Amadora-SC Braga e Moreirense-Benfica ainda pertencem a esta terceira jornada.
Quem entrar depois terá de tirar alguém.
E isso já será mais difícil do que fazer a equipa.















