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Data: 22 de agosto – 10 de setembro de 2026

Villas-Boas assume venda de Mora como concessão financeira, ataca advogado e promete regresso

Presidente enquadra a transferência para a Roma na necessidade de proteger a sustentabilidade do FC Porto, contrapõe o caso de Diego Moreira e deixa uma promessa ao médio formado no Dragão.

André Villas-Boas não procura transformar a venda de Rodrigo Mora numa escolha desportiva ideal. Assume-a como uma das concessões que o FC Porto ainda precisa de fazer enquanto tenta construir um clube financeiramente mais forte, capaz de conservar os melhores jogadores durante mais tempo sem comprometer a obrigação de vencer.

A transferência para a Roma, numa operação valorizada em 50 milhões de euros, é apresentada pelo presidente como consequência desse equilíbrio ainda imperfeito entre formação, rendimento desportivo e sustentabilidade. O negócio garante um encaixe imediato relevante e mantém o FC Porto ligado ao futuro económico do jogador.

É precisamente essa diferença que Villas-Boas utiliza para responder às críticas provocadas pela saída de Mora.

O presidente contrapõe o percurso do médio ao de Diego Moreira. Formado no Benfica, Moreira deixou a Luz sem retorno direto, passou por Chelsea, Lyon e Estrasburgo e chegou agora ao Milan. Villas-Boas considera que a partida do internacional português não provocou a mesma discussão pública que acompanhou a venda de Mora.

O argumento serve para defender o modelo portista. Mora cresceu no FC Porto, chegou à equipa principal, valorizou-se e saiu deixando uma operação financeira de grande dimensão, sem que o clube perdesse totalmente a ligação ao valor futuro do jogador.

A transferência deixou, contudo, uma ferida que Villas-Boas não pretende fechar.

O presidente dirige críticas particularmente duras a Luís Miguel Henrique, advogado ligado ao jogador, a quem atribui um papel irrelevante na negociação entre FC Porto e Roma e acusa de ter procurado protagonismo público. Segundo Villas-Boas, as declarações produzidas durante o processo levaram os pais de Mora a distanciarem-se dessas palavras e o agente do jogador a apresentar desculpas ao clube.

A censura torna-se ainda mais pesada quando aborda Francesco Farioli. Villas-Boas afirma que o que considera ter sido um desrespeito pelo FC Porto e pelo treinador não será esquecido.

Depois do conflito, o presidente regressa ao essencial da sua mensagem sobre Mora.

Coloca o médio ao lado de Vitinha, Rúben Neves, Diogo Dalot, Fábio Vieira e Fábio Silva, jogadores formados no clube que também partiram cedo para carreiras internacionais. O objetivo declarado da direção é chegar a uma realidade diferente: um FC Porto estável, com menor pressão financeira e capacidade para escolher quando vende, em vez de vender quando as contas obrigam.

Até esse momento, reconhece Villas-Boas, haverá decisões difíceis.

Rodrigo Mora foi uma delas.

A saída, porém, não é apresentada como uma despedida definitiva. Villas-Boas termina com uma promessa que transforma a transferência numa relação ainda aberta: o Dragão que levou Mora até Roma poderá ser o mesmo que um dia o receberá de volta.