Bruno Fernandes transformou uma tarde que começou com inquietação em Old Trafford na primeira vitória do Manchester United na Premier League. O capitão marcou três dos golos do 5-2 ao Ipswich, acrescentou uma assistência e voltou a deixar uma pergunta que atravessa praticamente toda a sua passagem por Manchester: onde estaria esta equipa sem ele?
O United começou por perder e chegou aos 40 minutos ainda em desvantagem. Bruno empatou antes do intervalo, voltou a marcar de grande penalidade e completou o hat-trick na segunda parte, antes de servir Bryan Mbeumo para o quinto golo.
A influência não se resumiu aos números. Com o Ipswich a aproveitar fragilidades defensivas que já tinham sido visíveis no arranque da época, foi Bruno quem alterou emocionalmente o encontro, primeiro através do empate e depois ocupando repetidamente as zonas onde o United conseguia acelerar entre o meio-campo e a defesa adversária.
Gary Neville colocou a exibição num contexto muito mais amplo. Para o antigo lateral, não há sequer comparação possível entre Bruno e os restantes reforços contratados pelo Manchester United desde a retirada de Alex Ferguson, em 2013.
«É a melhor contratação pós-Ferguson, de longe», afirmou, destacando a coragem para assumir decisões, a capacidade para produzir golos e assistências e uma disponibilidade permanente para tentar o passe ou a ação que modifica um jogo.
A dimensão da frase percebe-se através da lista de jogadores que passaram por Old Trafford durante esse período. Bruno chegou em janeiro de 2020 e atravessou mudanças de treinadores, reconstruções sucessivas e várias temporadas abaixo das expectativas coletivas sem perder o estatuto de principal referência ofensiva.
A contradição está precisamente aí. O português acumulou rendimento individual e tornou-se uma das figuras mais importantes do clube neste século, mas a passagem por Manchester ainda não foi acompanhada pelos títulos nacionais que habitualmente consolidam esse estatuto. Também deixou o Sporting poucas semanas antes de começar o ciclo que devolveria os leões aos campeonatos.
Antes do jogo houve ainda uma imagem que colocou o capitão num registo diferente. Os dois filhos de Matthew Blades, agente da polícia e adepto habitual do United que morreu num acidente rodoviário, entraram em Old Trafford acompanhados pelos jogadores. O mais velho caminhou ao lado de Bruno Fernandes; o mais novo entrou com Senne Lammens.
Depois começou o futebol.
E, quando o United precisou de alguém que transformasse um jogo inquietante numa vitória, voltou a ser o homem que levava a braçadeira.















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