Fernando Pimenta terminou os Campeonatos do Mundo de Poznan da mesma forma como atravessou grande parte da competição: à frente. Um dia depois de recuperar o título mundial de K1 1000 metros, o português venceu também os 5000 e completou aos 37 anos uma rara dobradinha individual, conquistando dois ouros em distâncias que exigem respostas competitivas profundamente diferentes.
Pimenta terminou os 5000 metros em 24.15,72 minutos, depois de passar praticamente toda a prova na frente e controlar sucessivas tentativas de aproximação dos principais adversários.
A resistência mais forte apareceu na parte final. O sul-africano Hamish Lovemore tentou surpreender no sprint, mas Pimenta manteve a vantagem e cortou a meta 1,45 segundos antes, com o rival a terminar em 24.17,17. O dinamarquês Mads Pedersen foi terceiro, em 24.18,17.
O português não quis transformar a corrida numa espera pelo momento decisivo. Assumiu a frente, controlou a passagem pelas portagens e respondeu quando Pedersen e Lovemore aumentaram a pressão.
No final, descreveu-a como uma prova em que conseguiu correr sem assumir riscos desnecessários, mas também sem ficar preso a uma lógica de controlo permanente. A exigência imposta por Pedersen obrigou-o, explicou, a aperfeiçoar precisamente a passagem pelas portagens, um elemento técnico particularmente importante nas provas de longa distância.
O triunfo recupera um título que Pimenta não conquistava desde 2018.
Foi campeão mundial de K1 5000 pela primeira vez em 2017 e repetiu a vitória no ano seguinte. Depois vieram uma medalha de bronze, em 2019, e três pratas, em 2021, 2023 e 2024. O ouro de Poznan eleva para sete o número de pódios mundiais nesta distância e confirma-o como o canoísta mais medalhado de sempre nos 5000 metros.
Mas a dimensão destes Mundiais está também na combinação das duas vitórias.
No sábado, Pimenta já tinha conquistado o K1 1000 metros, numa final muito mais curta e explosiva, superando o húngaro Bálint Kopasz por apenas 22 centésimos. Vinte e quatro horas depois, voltou a ganhar numa prova de resistência, leitura tática e gestão física ao longo de cinco quilómetros.
«Já são dois títulos em embarcação individual, é uma sensação incrível», resumiu.
Portugal terminou os Mundiais de Poznan com quatro medalhas: os dois ouros de Fernando Pimenta, a prata de João Ribeiro e Messias Baptista em K2 500 e o bronze de Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha em K4 500.
Para Pimenta, porém, a competição deixa uma marca ainda mais particular. Aos 37 anos, não regressou apenas ao título mundial numa das suas distâncias históricas. Saiu da Polónia campeão do mundo nos 1000 e nos 5000 metros no espaço de dois dias.















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