A palavra que Francesco Farioli mais valorizou depois da vitória por 2-0 sobre o Arouca foi paciência. O FC Porto passou mais de uma hora sem conseguir marcar, viu dois golos anulados e uma bola bater no ferro, mas o treinador considerou que precisamente a capacidade para não transformar essa resistência em ansiedade permitiu à equipa construir o triunfo.
“Paciência” e “maturidade” foram as ideias utilizadas pelo italiano para explicar um jogo em que o Arouca apareceu no Dragão mais recuado do que habitualmente.
Farioli reconheceu que a equipa de Vasco Seabra criou dificuldades através da organização defensiva e que o FC Porto demorou algum tempo até encontrar o ritmo necessário.
“Não foi um jogo fácil”, resumiu.
O treinador recusou, porém, a ideia de que o nulo prolongado tivesse retirado confiança aos jogadores. Pelo contrário, considerou que a equipa mostrou personalidade ao continuar a criar oportunidades sem abandonar a estrutura.
Gabri Veiga acabou por transformar essa insistência no primeiro golo e Farioli identificou esse momento como a verdadeira mudança do encontro. Depois do 1-0, o Arouca deixou de conseguir proteger a própria área da mesma maneira e o FC Porto passou a encontrar mais espaço.
O técnico portista destacou também o trabalho defensivo. O Arouca praticamente não conseguiu chegar com perigo à baliza de Diogo Costa e os dragões terminaram o terceiro jogo do campeonato novamente sem sofrer golos.
Arruabarrena mereceu uma referência particular. Farioli elogiou a sucessão de defesas do guarda-redes adversário e explicou que, perante uma exibição individual daquele nível, só havia uma solução: continuar a criar situações até aparecer uma que já não pudesse ser travada.
O treinador deixou ainda informação sobre Jan Bednarek. O central polaco pediu para sair perto do final devido a um desconforto num gémeo. A substituição por Nehuén Pérez teve caráter preventivo e o jogador ficou sujeito a reavaliação, sem sinais iniciais de um problema grave.
Do outro lado, Vasco Seabra não procurou desculpas para a primeira derrota da temporada.
“O FC Porto foi melhor e mereceu ganhar”, reconheceu o treinador do Arouca.
Seabra valorizou a atitude e o esforço dos seus jogadores, mas admitiu que faltou maior coragem com bola. O Arouca conseguiu defender durante muito tempo, mas raramente foi capaz de transformar recuperações em períodos de posse suficientemente longos para retirar o FC Porto de cima da sua área.
O treinador identificou precisamente aí a principal insuficiência da equipa.
Considerou que o Arouca poderia ter sido mais audaz e explicou que a intensidade da pressão portista tornou muito difícil a construção desde trás. Ao mesmo tempo, interpretou essa pressão como uma demonstração do respeito que o campeão nacional tinha pela capacidade do adversário para sair a jogar.
Seabra voltou ainda a elogiar Arruabarrena. Mais do que as defesas, destacou a comunicação e a mentalidade competitiva do guarda-redes, características que, juntamente com a experiência de Javi Sánchez, ajudam a dar segurança aos restantes jogadores.
Também Javi Sánchez reconheceu que faltou ao Arouca uma parte importante daquilo que normalmente define a equipa.
O central considerou que os visitantes foram compactos e solidários sem bola, mas admitiu que perderam “a essência” quando não conseguiram ter posse no meio-campo portista. O objetivo era assumir mais o jogo, mas a pressão do FC Porto impediu a equipa de ser dominadora e protagonista como pretende habitualmente.
Javi voltou igualmente a destacar Arruabarrena como elemento fundamental dentro e fora do campo, numa noite em que o guarda-redes foi decisivo para manter o resultado indefinido durante mais de uma hora.
William Gomes viveu o encontro do outro lado dessa resistência.
Eleito melhor jogador em campo, o extremo esteve diretamente ligado ao golo que desbloqueou a partida, ao transportar a bola e servir Gabri Veiga.
Para o brasileiro, a quantidade de oportunidades criadas tornou progressivamente inevitável a sensação de que o golo acabaria por aparecer.
“Criámos muito”, explicou, salientando que a equipa nunca deixou de acreditar mesmo quando Arruabarrena continuava a impedir o primeiro golo.
William valorizou ainda a continuidade defensiva do FC Porto, mas recusou viver do que a equipa fez na temporada anterior. A ideia é começar uma história nova e tratar cada jornada como um problema diferente.
O extremo falou também de Rodrigo Mora, recentemente transferido para a Roma. Recordou a proximidade que existia entre os dois, explicou que o jovem português foi importante na sua adaptação ao FC Porto e desejou-lhe sucesso na nova etapa.
Dentro do balneário portista, contudo, a mensagem dominante depois do terceiro triunfo consecutivo foi menos sentimental e mais prática.
O FC Porto está a ganhar, ainda não sofreu no campeonato e encontrou diante do Arouca uma dificuldade diferente das duas jornadas anteriores.
A resposta foi não acelerar por desespero.
Foi esperar melhor.
E foi precisamente essa capacidade que Farioli escolheu destacar depois de uma noite em que o resultado demorou, mas a equipa nunca deixou de acreditar que acabaria por chegar.















