Samuel Eto'o escolheu o momento de maior contestação a Gianni Infantino para fazer exatamente o contrário de vários críticos: declarar apoio público ao presidente da FIFA.
O antigo avançado e atual presidente da Federação Camaronesa considera que Infantino “não fez nada de errado” e interpreta a crescente oposição como parte da disputa política que antecede as próximas eleições do organismo.
A polémica mais recente nasceu de um projeto que previa a entrada de investidores privados numa estrutura comercial associada às grandes competições da FIFA.
A proposta foi retirada depois de forte resistência internacional, mas deixou marcas na relação de Infantino com vários setores do futebol.
Eto'o olha para o problema a partir de outra posição.
O dirigente camaronês considera que a presidência de Infantino deu a países pequenos e a federações africanas oportunidades que anteriormente não existiam, através do alargamento das competições e da redistribuição de recursos.
É também nessa lógica que defende o projeto abandonado.
Para Eto'o, a entrada de capital poderia contribuir para reduzir o desequilíbrio económico entre as grandes potências e federações com menor capacidade financeira, sobretudo em África.
O antigo jogador acusa parte dos opositores de analisar a proposta a partir de uma posição dominante e defende que o documento deve voltar a ser discutido depois das eleições.
A crise da FIFA ganha assim uma segunda leitura.
Para uns, está em causa o excesso de poder comercial e político concentrado na presidência.
Para Eto'o, a oposição corre o risco de proteger precisamente a distribuição de poder que Infantino diz querer alterar.















