João Pinheiro atravessou o FC Porto-Arouca debaixo de forte contestação das bancadas e do banco portista, mas os dois lances que mais incendiaram o Dragão terminaram com decisões tecnicamente sustentadas: os dois golos anulados ao FC Porto não deveriam contar.
O árbitro foi auxiliado por Luciano Maia e Hugo Marques, com João Afonso como quarto árbitro. Manuel Mota esteve no VAR e João Bessa Silva desempenhou as funções de AVAR.
A primeira decisão relevante surgiu aos 53 minutos.
Na sequência de um pontapé de canto, Alberto Costa atacou a bola na pequena área e conseguiu introduzi-la na baliza. Antes do cabeceamento, porém, o lateral contactou o braço de Arruabarrena quando o guarda-redes procurava jogar a bola.
João Pinheiro apitou imediatamente falta atacante.
A proteção de um guarda-redes dentro da pequena área não é absoluta: ele pode ser disputado legalmente como qualquer outro jogador. Neste caso, contudo, o contacto de Alberto Costa interfere diretamente com a capacidade de Arruabarrena chegar à bola. A anulação encontra, por isso, suporte nas leis do jogo.
Seis minutos depois surgiu o lance que provocou a maior contestação.
Jakub Kiwior recebeu à entrada da área e disparou para o fundo da baliza. O golo chegou a ser festejado, mas a revisão detetou André Silva em posição irregular no desenvolvimento da jogada.
O avançado não precisava de tocar na bola para ser punido.
Ao deslocar-se da posição de fora de jogo e interferir diretamente na disputa com o adversário, André Silva participa na jogada. A posição deixa, portanto, de ser meramente passiva.
O VAR transmitiu a irregularidade e João Pinheiro anulou o golo sem necessidade de permanecer longamente junto ao monitor. A decisão deixou o banco portista revoltado, mas o fora de jogo estava sustentado pela participação efetiva do avançado na jogada.
Os protestos foram mais intensos do que os próprios casos.
João Pinheiro já tinha ouvido assobios segundos depois do início do encontro e a relação entre árbitro e bancada deteriorou-se ao longo da partida. Depois do segundo golo anulado, o banco do FC Porto reagiu de forma particularmente veemente e os protestos desceram também das bancadas.
Um isqueiro lançado da zona situada atrás da baliza do Arouca acabou entregue ao árbitro por Arruabarrena. A equipa de arbitragem voltou a ser fortemente assobiada quando abandonou o relvado após o encontro.
Nada disso altera a leitura dos dois momentos determinantes.
O FC Porto teve efetivamente duas bolas dentro da baliza antes de Gabri Veiga fazer o 1-0. Também é factual que nenhuma delas reunia condições para ser validada.
No plano disciplinar, o encontro foi relativamente tranquilo. Hwang In-Beom viu o único cartão amarelo aos 83 minutos, depois de entrar com o pé alto e acertar no pé de Tiago Esgaio. A advertência foi adequada à ação.
Houve, ainda assim, alguma margem para maior uniformidade. Pouco depois do intervalo existiu uma entrada de pé alto de um jogador do Arouca que foi sancionada com livre, mas não com cartão, numa ação comparável em risco à que mais tarde originou a advertência a Hwang.
Também a movimentação de João Pinheiro não foi sempre limpa na primeira parte. A bola chegou a tocar no árbitro durante uma transição do Arouca e houve igualmente um choque com um jogador portista, sinais de uma colocação que em alguns momentos poderia ter sido mais periférica.
São reparos secundários numa arbitragem cuja dificuldade pública acabou por parecer maior do que a dificuldade técnica.
A contestação no estádio concentrou-se sobretudo nos dois golos anulados, mas nenhuma das decisões alterou injustamente o resultado. Alberto Costa comete falta sobre Arruabarrena no primeiro lance e André Silva interfere a partir de posição irregular antes do remate de Kiwior no segundo.
O FC Porto acabou depois por marcar duas vezes sem qualquer irregularidade, através de Gabri Veiga e Borja Sainz.
A arbitragem esteve no centro do ruído.
Não esteve no centro do resultado.















