O Alverca esteve a três minutos de conseguir a primeira vitória no campeonato, mas não conseguiu proteger aquilo que construíra com Vivaldo Semedo. Petit mexeu no Santa Clara quando a equipa começava a perder capacidade para chegar à área, acrescentou velocidade e criatividade ao ataque e encontrou em dois suplentes a jogada do empate: Welinton Torrão assistiu e Brenner Lucas fez o 1-1 aos 87 minutos.
O resultado conta, porém, uma história menos linear do que a vantagem tardia do Alverca poderia sugerir. O Santa Clara criou mais, rematou 15 vezes contra cinco e terminou com maior volume de oportunidades. O Alverca conseguiu equilibrar durante longos períodos, foi mais eficaz quando encontrou a bola parada e esteve muito perto de transformar esse equilíbrio numa vitória.
A primeira parte começou melhor para os açorianos. O Alverca perdeu Nabil Touaizi por lesão ainda aos 20 minutos e, enquanto Diogo Spencer procurava entrar no ritmo do jogo, o Santa Clara encontrou as duas primeiras ocasiões realmente claras.
Pedro Pacheco apareceu junto da baliza depois de um livre de Tiago Ribeiro, mas desviou para fora. Pouco depois, foi o próprio Tiago Ribeiro a disparar de fora da área e acertar na barra.
O Santa Clara conseguia chegar melhor a zonas de finalização, mas não transformou essa superioridade inicial numa vantagem. E o Alverca começou gradualmente a encontrar espaço para responder.
Vivaldo Semedo tornou-se a referência dessa reação. Aos 33 minutos colocou a bola na baliza e festejou durante alguns instantes, mas a jogada não resistiu à verificação do fora de jogo: o avançado estava 35 centímetros adiantado.
Foi o principal episódio de arbitragem do encontro. Diogo Rosa anulou corretamente o lance, numa partida em que teve intervenção discreta e não ficou associado a qualquer caso relevante para além da decisão objetiva sobre a posição irregular de Vivaldo.
O aviso não desapareceu com o golo anulado. Já perto do intervalo, Ian Luccas teve uma oportunidade muito favorável junto da baliza e desperdiçou, deixando o 0-0 como resultado de uma primeira parte em que o Santa Clara começou melhor, mas o Alverca terminou mais próximo do jogo que pretendia.
A segunda metade tornou-se mais fechada. Havia menos espaço entre setores, mais disputa no meio-campo e menos situações claras. André Vidigal conseguiu romper esse equilíbrio aos 61 minutos, progrediu por dentro e rematou perto do poste.
Petit percebeu que precisava de outro tipo de ameaça. Aos 63 minutos lançou Brenner e Vitinho. O primeiro viria a decidir o resultado. O treinador açoriano voltaria a mexer oito minutos depois, colocando Fernando e Welinton Torrão nos lugares de Gonçalo Paciência e Vinícius Lopes.
Antes de essas alterações produzirem efeito, porém, foi o Alverca a marcar.
Aos 69 minutos, Isaac James colocou um canto na área e Vivaldo voltou a aparecer. Desta vez não havia posição irregular. O avançado atacou a bola junto da pequena área e, entre a cabeça e o ombro, desviou com força suficiente para retirar qualquer hipótese a Lucas França.
Depois de ver o primeiro golo anulado, Vivaldo tinha finalmente colocado o Alverca em vantagem.
Sérgio Ferreira tentou proteger o momento e refrescou a equipa. Vivaldo saiu pouco depois, Chissumba e André Vidigal também deram lugar a jogadores mais frescos e o Alverca procurou controlar um Santa Clara que precisava agora de assumir mais riscos.
Durante algum tempo conseguiu.
Mas o próprio treinador ribatejano identificaria depois a origem do erro que custou a vitória. O Alverca recuperou uma bola, perdeu-a novamente sem estar devidamente preparado para defender a transição e ofereceu ao Santa Clara precisamente o tipo de situação que tentara evitar.
Aos 87 minutos, Emanuel Moreira mudou o centro do jogo, Welinton Torrão recebeu no corredor e cruzou para o segundo poste. Brenner apareceu completamente livre e rematou de primeira para o 1-1.
Não era apenas um suplente a marcar. Era um antigo jogador do Alverca a retirar à equipa ribatejana a primeira vitória da temporada.
A jogada mostrou também por que motivo as alterações de Petit tiveram efeito. Brenner acrescentou presença em zonas de finalização, Welinton capacidade para acelerar por fora e Fernando maior mobilidade. O Santa Clara passou a conseguir chegar à última linha com jogadores frescos quando o Alverca começava a perder capacidade para reagir.
E quase transformou o empate numa vitória.
Já aos 90+5, Brenner voltou a aparecer lançado pela esquerda, entrou na área e rematou em posição para fazer o segundo. Matheus Mendes respondeu com a defesa mais importante do encontro e evitou que os últimos minutos destruíssem completamente aquilo que o Alverca tinha construído.
Petit reconheceu que o ponto não correspondia inteiramente à ambição com que a equipa terminou o jogo. Explicou que procurou «refrescar» o Santa Clara e acrescentar criatividade, considerou que a equipa foi atrás do resultado e lembrou precisamente a oportunidade final de Brenner para justificar que os açorianos poderiam ter saído de Alverca com os três pontos.
Sérgio Ferreira encontrou outra origem para o empate. O treinador considerou que faltaram ao Alverca assertividade e agressividade no último terço e voltou a identificar problemas quando a equipa perde a bola sem estar preparada para a transição defensiva. Foi assim, na sua leitura, que nasceu o 1-1.
As duas análises encontram-se no mesmo momento. Petit mudou a equipa para atacar melhor os espaços; o Alverca ofereceu esses espaços quando deixou de controlar a perda. A entrada de Brenner e Welinton não criou sozinha o erro, mas deu ao Santa Clara os jogadores certos para o explorar.
O empate prolonga duas tendências opostas. O Alverca continua sem vencer depois de quatro jornadas e soma dois pontos, apesar de ter estado muito perto de finalmente quebrar essa sequência. O Santa Clara chega aos oito pontos sem qualquer derrota e confirma um início de campeonato em que, mesmo nos jogos que não consegue dominar por completo, continua a encontrar formas de pontuar.
Para os ribatejanos fica uma conclusão menos confortável do que a proximidade da primeira vitória: não basta chegar aos minutos finais em vantagem. É preciso reconhecer o momento em que o jogo deixa de pedir outro golo e passa a exigir que cada perda de bola seja tratada como uma ameaça.
Foi numa dessas perdas que a vitória desapareceu.















