Jornada.pt
PesquisarEntrar

Jornadas

Navegação principal da época 2026/27.

Vitória fez quase tudo para ganhar, mas Mandic fechou uma baliza que nem os postes deixaram abrir

Guimarães empurrou o Casa Pia durante quase toda a segunda parte, terminou com 29 remates e duas bolas nos ferros, mas o guarda-redes croata respondeu em vários duelos decisivos. Os gansos conquistaram o primeiro ponto da Liga; os minhotos ficam com quatro em cinco jornadas.

O Vitória SC teve bola, território, remates, ocasiões, duas bolas nos ferros e vários jogadores frente a frente com a baliza. Faltou-lhe aquilo que transforma tudo isso numa vitória. O Casa Pia resistiu, encontrou em Ivan Mandic um guarda-redes decisivo numa estreia inesperada e saiu do D. Afonso Henriques com um 0-0 que vale o primeiro ponto da temporada.

O jogo começou muito mais equilibrado do que terminaria.

O Vitória entrou com Ahmed Sidibe pela primeira vez no onze e procurou assumir a iniciativa, mas encontrou um Casa Pia organizado e capaz de responder através de João Rego, o jogador que mais problemas criou aos minhotos durante a primeira parte.

A primeira contrariedade foi lisboeta.

André Gomes lesionou-se e obrigou Filipe Coelho a lançar Mandic praticamente sem preparação para aquilo que viria a encontrar.

A estreia começou imediatamente a ganhar importância.

João Rego bateu um canto para David Sousa acertar no poste e o Casa Pia mostrou que não estava apenas preocupado em defender.

O lance alterou o ritmo de uma partida até então demasiado presa.

O Vitória respondeu.

Samu apareceu isolado, mas encontrou Mandic pela frente. Pauwels obrigou Zych a intervir do outro lado e Doucet respondeu com um remate forte ao ferro.

Ao intervalo, o nulo já tinha sobrevivido a oportunidades suficientes para parecer improvável.

Depois tornou-se quase incompreensível.

O Vitória regressou com outra intensidade e transformou a segunda parte num ataque prolongado à área do Casa Pia.

A posse subiu até aos 74 por cento.

Foram 29 remates, oito enquadrados e 17 cantos.

O problema continuou exatamente no mesmo lugar.

Na baliza.

Ndoye desperdiçou, Gustavo Silva acertou no ferro num livre direto e Samu voltou a aparecer perante Mandic sem conseguir ultrapassá-lo.

O Casa Pia deixou progressivamente de conseguir sair.

A equipa baixou, perdeu capacidade física para acompanhar as transições e passou largos períodos completamente instalada junto da própria área.

A partir daí, já não discutia quem controlava o jogo.

Discutia apenas se conseguiria sobreviver.

Mandic tornou essa possibilidade real.

O croata ganhou outro duelo individual a Gustavo Silva e foi respondendo à pressão com a serenidade de quem parecia estar há muito instalado numa baliza onde acabara de chegar.

Quando já nem ele podia resolver, apareceu David Sousa.

Nos últimos segundos, Patrick Ouotro encontrou espaço para finalizar e o defesa casapiano cortou praticamente sobre a linha.

Acabou aí.

Sem golos.

Tiago Margarido não tentou esconder aquilo que sentiu.

«Muito frustrado, mau era se não estivesse.»

O treinador considera que o problema não esteve na forma como a equipa chegou à baliza, mas no que fez quando lá chegou.

O Vitória criou situações de isolamento, acertou duas vezes nos postes e produziu a maior parte do jogo em território contrário.

«Temos de ser mais eficazes.»

É a conclusão inevitável.

Margarido também rejeitou a ideia de ter apresentado uma equipa mais defensiva com Doucet numa posição mais recuada. A opção procurava responder ao poder físico de um Casa Pia com vários jogadores acima de 1,90 metros e não retirar ambição à equipa.

O próprio jogo acabou por confirmar isso.

O Vitória começou intranquilo, cresceu progressivamente e fez da segunda parte uma longa tentativa de encontrar o golo.

Não encontrou.

As estreias deixaram pelo menos sinais positivos.

Sidibe respondeu à primeira oportunidade no onze e Jakupovic entrou para acrescentar capacidade de associação no ataque.

Nada disso resolveu o problema central da noite.

O Vitória produziu para ganhar e não ganhou.

Margarido classificou o resultado como «extremamente injusto» e assumiu a responsabilidade por uma classificação que já começa a incomodar.

Quatro pontos em cinco jornadas estão muito abaixo daquilo que o clube procura.

O Casa Pia olha para o mesmo empate de outro lugar.

Ainda não ganhou.

Ainda não marcou.

Mas deixou Guimarães com o primeiro ponto da Liga depois de uma tarde em que foi progressivamente obrigado a abandonar qualquer ambição ofensiva e concentrar tudo na sobrevivência.

Conseguiu-a através dos postes, de uma defesa que nunca deixou de proteger a área e, acima de todos, de um guarda-redes que entrou porque outro se lesionou.

Mandic não estava previsto como protagonista.

Saiu como a principal razão para o marcador ter ficado vazio.