Ewerton; Dinis Pinto, Zeno Debast e David Sousa; William Gomes, Demir Tiknaz, Leandro Barreiro e Prestianni; Vinícius Lopes, Pau Víctor e Koutsias. É este o onze da quinta jornada da Liga.
O desenho é um 3-4-3 assumidamente ofensivo. Não por vontade de acumular jogadores de ataque, mas porque foi aí que esta ronda concentrou várias das exibições individuais com maior influência sobre os jogos.
Na baliza, a escolha foi especialmente difícil.
Ivan Mandic entrou inesperadamente em Guimarães e segurou o primeiro ponto do Casa Pia. Arruabarrena fechou a baliza do Arouca quando o Estoril acumulou oportunidades nos minutos finais. André Ferreira evitou que a derrota do Moreirense no Dragão fosse mais larga.
Ewerton fez ainda mais.
O Académico de Viseu marcou aos quatro minutos em Barcelos e passou praticamente todo o encontro a proteger essa vantagem. O Gil Vicente terminou com 34 remates, sete enquadrados, e foi empurrando os viseenses cada vez mais para junto da própria área. Quando o bloco já não conseguia impedir a finalização, aparecia o guarda-redes.
O 1-0 foi a primeira vitória do Académico desde o regresso à Liga, 37 anos depois. João Guilherme marcou o golo. Ewerton garantiu que ele chegava ao fim.
Dinis Pinto entra pela direita da defesa depois de fazer ao FC Porto aquilo que ninguém tinha conseguido nas primeiras quatro jornadas: marcar.
O lateral apareceu no segundo poste aos 20 minutos e colocou o Moreirense em vantagem no Dragão, mas a sua influência não terminou aí. Deu profundidade ao corredor, participou nas saídas que permitiram aos minhotos escapar à pressão e, já com 2-1, voltou a aparecer em posição de finalização para obrigar Diogo Costa a uma intervenção importante. O Moreirense perdeu. Dinis foi, ainda assim, uma das razões pelas quais o campeão nunca pôde considerar o jogo completamente fechado.
No centro fica Zeno Debast.
O Sporting passou praticamente toda a receção ao Nacional instalado no meio-campo adversário e isso reduziu naturalmente a exposição dos seus defesas. Mas o belga não se limitou a administrar aquilo que acontecia à sua frente. Foi dele o passe vertical que encontrou Luis Suárez nas costas da linha madeirense e iniciou o 2-0. Num jogo contra um bloco muito baixo, um central também pode desequilibrar pela capacidade de retirar adversários da jogada com um passe.
David Sousa completa o trio.
Há defesas que entram num onze destes por aquilo que impediram. O central do Casa Pia conseguiu fazê-lo nas duas áreas. Na primeira parte apareceu num canto de João Rego e acertou no poste. No último lance da partida, quando Mandic já não podia resolver, cortou praticamente sobre a linha a finalização de Patrick Ouotro.
Entre um poste numa baliza e um corte em cima da outra, David Sousa ajudou a construir o primeiro ponto de uma equipa que chegou a Guimarães com quatro derrotas.
William Gomes ocupa o corredor direito do meio-campo.
O FC Porto estava a perder e a atacar demasiado devagar quando o brasileiro começou a mudar a relação do jogo. Deu largura, obrigou o Moreirense a deslocar o bloco e ofereceu aos dragões uma forma de acelerar sem insistir permanentemente pelo centro.
Depois acrescentou aquilo que transforma influência em resultado.
Cobrou o livre para o cabeceamento de Bednarek no 1-1 e, aos 58 minutos, atacou o segundo poste para finalizar o cruzamento de Pepê e completar a reviravolta.
Um golo e uma assistência contam. Neste caso, explicam também como o FC Porto resolveu o primeiro jogo do campeonato em que esteve em desvantagem.
Demir Tiknaz entra por aquilo que fez à segunda parte do Alverca-SC Braga.
Os minhotos tinham passado 45 minutos com muita bola e pouca capacidade para transformar posse em desequilíbrio. Tiknaz ajudou a alterar isso. Aos 50 minutos rompeu pela direita, ultrapassou adversários e encontrou Pau Víctor na zona central para o empate.
Sete minutos depois voltou a estar dentro da jogada decisiva. Recebeu na sequência de uma defesa de Matheus Mendes, acertou no poste e Pau Víctor reagiu mais depressa do que todos os outros para fazer o 1-2.
A assistência aparece nas estatísticas.
O poste não.
No jogo, ambos tiveram peso.
Leandro Barreiro ocupa o outro lugar central.
O Benfica teve nos Barreiros períodos de maior domínio e outros em que perdeu fluidez, mas o luxemburguês nunca deixou de interpretar aquilo que a sua função lhe permitia acrescentar à área. Aos sete minutos apareceu na sobra de uma defesa a remate de Prestianni e abriu o marcador. Na segunda parte voltou a atacar a zona de finalização e fez o segundo.
Dois remates decisivos, dois golos.
Não houve uma transformação artificial de Barreiro num avançado. Houve um médio a reconhecer duas vezes o momento certo para chegar onde o jogo podia ser decidido.
Prestianni fecha o meio-campo pela esquerda.
O primeiro golo do Benfica começa nele. Recebeu, desequilibrou e obrigou Alfonso Pastor a defender antes de Barreiro aproveitar a sobra. O terceiro pertence-lhe por inteiro: recuperada a bola, conduziu a transição, resistiu à aproximação adversária e finalizou colocado.
Entre esses dois momentos continuou a ser o jogador encarnado com maior capacidade para criar desequilíbrio individual num relvado que dificultava a circulação curta.
Na frente, Vinícius Lopes representa o melhor Santa Clara deste início de época.
A goleada por 4-0 ao Rio Ave começou numa aceleração sua pela direita e num cruzamento rasteiro que Brenner transformou no primeiro golo. Aos 52 minutos, com a vantagem já em 2-0, aproveitou uma perda de Gustavo Mancha, atacou imediatamente a baliza e fez o terceiro.
Golo e assistência resumem a produção.
A velocidade com que reconheceu os erros do adversário explica a influência.
No centro está Pau Víctor.
O SC Braga chegou ao intervalo a perder em Alverca depois de uma primeira parte em que ter mais bola não significou controlar aquilo que realmente interessava. O avançado precisou de sete minutos para inverter o marcador.
Aos 50 apareceu no espaço certo para finalizar a rutura de Tiknaz. Aos 57 reagiu primeiro à bola que regressou do poste e fez a recarga.
Dois golos.
1-0 transformado em 1-2.
Há jornadas em que a discussão sobre o avançado depende de tudo aquilo que fez durante 90 minutos. Nesta, Pau Víctor resolveu um jogo em sete.
Koutsias completa o onze.
O Famalicão continua sem vencer, mas dificilmente saiu da Reboleira sem reconhecer aquilo que recebeu do avançado grego. Marcou praticamente no primeiro minuto, dando expressão a uma primeira parte em que os minhotos foram superiores. Depois viu o Estrela transformar completamente o jogo, sofrer a reviravolta e aproximar-se da primeira vitória.
Aos 80 minutos voltou a aparecer.
Converteu o penálti e fez o 2-2.
Dois golos num empate significam uma relação particularmente simples entre desempenho individual e resultado: sem Koutsias, o ponto não existe.
Luis Suárez, Brenner, Tiago Ribeiro, Ivan Mandic, Arruabarrena e André Ferreira ficaram muito perto.
Suárez merece uma explicação adicional. Marcou e assistiu no 2-0 do Sporting ao Nacional e voltou a produzir uma exibição de grande influência. O primeiro golo, porém, surgiu numa grande penalidade que a análise da Jornada considerou incorretamente assinalada. O colombiano não tem qualquer responsabilidade pela decisão e converteu aquilo que lhe foi dado para converter, mas, numa escolha tão apertada, não faz sentido atribuir à ação o mesmo peso de um golo construído pelo próprio jogo.
Mandic e Arruabarrena poderiam ambos ocupar a baliza sem diminuir a equipa. O primeiro sobreviveu a sucessivos duelos individuais em Guimarães. O segundo travou o Estoril quando o encontro parecia finalmente inclinar-se para a equipa da casa.
Ewerton fica à frente porque fez algo semelhante enquanto protegia uma vitória.
É essa diferença mínima que decide uma escolha também mínima.
A equipa da Jornada 05 é esta: Ewerton; Dinis Pinto, Zeno Debast e David Sousa; William Gomes, Demir Tiknaz, Leandro Barreiro e Prestianni; Vinícius Lopes, Pau Víctor e Koutsias.
Nove clubes.
Onze jogadores.
E uma jornada em que decidir não significou sempre marcar.
Às vezes significou impedir que o golo chegasse durante 86 minutos.















