O Sporting venceu o Nacional por 2-0 porque teve paciência para não confundir domínio com pressa e qualidade suficiente para transformar duas brechas num jogo controlado. Luis Suárez marcou o primeiro, assistiu Flávio Gonçalves no segundo e acabou por dar forma a uma vitória que o Nacional conseguiu adiar, mas nunca verdadeiramente ameaçar.
Os madeirenses entraram em Alvalade para reduzir espaço.
A equipa aproximou as linhas, protegeu sobretudo a zona central e obrigou o Sporting a circular durante largos períodos perante muitos jogadores atrás da bola.
O plano funcionou enquanto Renato Marin conseguiu resolver aquilo que escapava ao bloco.
Zalazar ameaçou de fora da área, Geny Catamo começou a aparecer nas costas da linha defensiva e Maxi Araújo foi progressivamente deixando o corredor para procurar zonas interiores.
Foi essa mobilidade que começou a abrir o Nacional.
A partir dos 25 minutos, o Sporting passou a encontrar mais vezes jogadores de frente para a baliza e Marin teve de responder sucessivamente a Geny, Zalazar e Maxi.
O primeiro golo apareceu aos 32 minutos, através de uma grande penalidade convertida por Suárez.
O lance foi decisivo porque alterou aquilo que o Nacional queria preservar acima de tudo: o 0-0.
A grande penalidade, porém, não resulta de uma ação defensiva suficientemente faltosa para justificar o castigo. Maxi Araújo procura o contacto com Leo Santos e constrói a queda depois de orientar o próprio movimento para o defensor. O contacto existe, mas não é o defesa que provoca ilicitamente a perda de equilíbrio.
Suárez não teve responsabilidade nessa discussão.
Pegou na bola, marcou e festejou com um sorriso particularmente expressivo depois de semanas em que o mercado e o seu estado de espírito tinham sido transformados em assunto.
O Nacional ainda conseguiu chegar perto de Rui Silva antes do intervalo, mas sem construir uma oportunidade capaz de alterar a relação do jogo.
E o Sporting resolveu praticamente tudo quatro minutos depois do recomeço.
Debast encontrou Suárez em profundidade.
O colombiano podia finalizar, mas levantou a cabeça e colocou a bola em Flávio Gonçalves, que apareceu no espaço central e fez o 2-0.
O lance mostrou outra dimensão da exibição do avançado.
Suárez não foi apenas o homem que marcou.
Foi também quem percebeu que o segundo golo estava num companheiro em melhor posição.
A partir daí, Rui Borges começou a administrar aquilo que a equipa tinha conquistado.
Com o Galatasaray à espera na quarta-feira, saíram Suárez, Geny e Zalazar. Mais tarde também Maxi Araújo.
A gestão não retirou energia ao Sporting.
Luís Guilherme, Ioannidis e Irankunda entraram com vontade de aumentar a vantagem, criaram novas situações e impediram que a substituição dos jogadores mais influentes transformasse os minutos finais numa retirada.
Foi uma diferença importante em relação a outros jogos em que a gestão de uma vantagem curta trouxe o adversário novamente para dentro da partida.
Desta vez, não aconteceu.
O Nacional continuou organizado e Marin voltou a impedir que o marcador aumentasse, mas a equipa nunca encontrou espaço ofensivo suficiente para obrigar Rui Silva a viver uma segunda parte de verdadeiro risco.
Bruno Abreu tinha preparado a equipa para atrasar o primeiro golo, explorar transições e manter a partida aberta durante o maior tempo possível.
Conseguiu parte disso.
Não conseguiu criar a ameaça necessária para obrigar o Sporting a duvidar.
O 2-0 deixou ainda outro sinal para Rui Borges.
Altimira voltou a controlar grande parte do ritmo do meio-campo, Suárez confirmou o momento goleador, Flávio Gonçalves aproveitou nova oportunidade e quem saiu do banco entrou a aumentar a intensidade.
O Sporting ganhou primeiro pela paciência.
Depois ganhou também pela forma como soube não transformar gestão em passividade.















