O SC Braga teve bola durante quase toda a primeira parte e o Alverca teve aquilo que realmente interessava: a vantagem. Foi preciso chegar do intervalo uma equipa diferente para a relação entre domínio e marcador finalmente coincidir. Pau Víctor marcou duas vezes em sete minutos, anulou o penálti convertido por Chiquinho e deu aos minhotos uma vitória por 2-1 construída muito mais pela transformação ocorrida ao intervalo do que pela posse acumulada antes dele.
Os primeiros 45 minutos explicaram por que razão ter a bola e controlar um jogo não são necessariamente a mesma coisa.
O SC Braga instalou-se no meio-campo contrário, chegou a valores de posse próximos dos 70 por cento e conseguiu ultrapassar com relativa facilidade a primeira pressão do Alverca.
Depois começavam os problemas.
Sérgio Ferreira aceitou entregar metros iniciais aos minhotos e organizou a equipa para retirar espaço junto da própria área. O Braga circulava, procurava os corredores e voltava a circular, mas faltava-lhe velocidade e sobretudo capacidade para transformar a posse em entradas realmente perigosas.
Mario Dorgeles ameaçou cedo, com um remate junto ao poste, e os centrais estiveram perto de chegar a uma bola parada.
Era pouco para tanto domínio territorial.
O Alverca precisava de menos.
Quando encontrou pela primeira vez espaço para atacar a profundidade, foi diretamente à zona de decisão. Figueiredo descobriu Chiquinho na direita, o extremo entrou na área e Diego Rodrigues chegou atrasado à tentativa de travar a progressão.
Luís Godinho assinalou penálti.
A revisão confirmou a decisão.
Chiquinho, regressado à equipa depois de cumprir castigo, converteu aos 27 minutos e colocou o Alverca na frente.
O golo expôs ainda mais a dificuldade bracarense.
A equipa continuou a chegar ao último terço, mas quase sempre perante uma defesa já organizada. Diego Rodrigues rematou à figura de Matheus Mendes, Demir Tiknaz tentou de longe e Diogo Travassos ficou perto do empate nos descontos.
Nada alterou o 1-0.
Carlos Vicens respondeu ao intervalo com mudanças e, mais importante do que os nomes, com uma alteração evidente na forma como o Braga passou a atacar.
A circulação deixou de ser um fim.
Passou a preparar acelerações.
Demir Tiknaz foi decisivo nessa transformação.
Aos 50 minutos, o médio rompeu pela direita, ultrapassou adversários e encontrou Pau Víctor na zona central. O espanhol apareceu onde um avançado deve aparecer e desviou para o 1-1.
Sete minutos depois, o Braga já estava na frente.
Gabri Martínez entrou pela esquerda e atrasou para Fran Navarro. Matheus Mendes ainda defendeu a primeira tentativa, Tiknaz acertou no poste na sequência e Pau Víctor reagiu mais rapidamente do que toda a defesa do Alverca para fazer a recarga.
1-2.
Em sete minutos, o Braga tinha produzido aquilo que os primeiros 45 não tinham conseguido.
Profundidade.
Gente na área.
Segundas bolas atacadas.
Finalização.
O Alverca não desistiu.
A equipa ribatejana voltou a avançar linhas e obrigou os minhotos a trocar o domínio pela capacidade de sofrer e controlar espaços.
Foi uma fase diferente para o Braga, já sem necessidade de perseguir o jogo e com maior preocupação em impedir que o adversário recuperasse as transições que tinham produzido o penálti da primeira parte.
O resultado não voltou a mexer.
O Alverca conseguiu mostrar por que razão tinha argumentos para dificultar a vida aos minhotos: organização sem bola, disponibilidade para aceitar longos períodos defensivos e rapidez para atacar quando aparecia espaço.
Mas continuou sem encontrar a primeira vitória no campeonato.
O SC Braga saiu com outra lição.
Na primeira parte teve quase tudo aquilo que normalmente é associado ao controlo.
Faltava o essencial.
Depois do intervalo deixou de se limitar a ocupar o campo adversário e começou realmente a atacá-lo.
Pau Víctor tratou do resto.















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