Samu Aghehowa prepara-se para acrescentar mais um regresso a uma carreira que, aos 22 anos, já obrigou o avançado do FC Porto a ultrapassar obstáculos muito diferentes. A recuperação da rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito aponta para novembro e coloca novamente o espanhol perante aquilo que tem atravessado grande parte do seu percurso: recomeçar.
A lesão aconteceu a 9 de fevereiro, no clássico com o Sporting, e terminou imediatamente a temporada. Também retirou a Samu a possibilidade de disputar o Mundial de 2026, numa altura em que se tinha afirmado como uma das principais referências ofensivas dos dragões.
O FC Porto acabaria campeão.
Samu festejou limitado fisicamente e iniciou um processo de recuperação prolongado que continua a decorrer.
«Mentalmente, estou muito mais forte», resumiu já durante a reabilitação.
A capacidade para responder a dificuldades vem de muito antes do futebol profissional.
Samu nasceu em Melilha, depois de a mãe, Edith, ter deixado a Nigéria e atravessado um percurso particularmente difícil antes de a família se estabelecer em Espanha. Durante a infância viveu num centro de acolhimento e, mais tarde, mudou-se para Sevilha.
O futebol apareceu nesse período, mas nem aí o caminho foi direto.
Passou brevemente pela formação do Sevilha, continuou depois no Nervión e encontrou no Granada o contexto que permitiu transformar força física, velocidade e capacidade de finalização em argumentos de futebol profissional.
O Atlético Madrid percebeu o potencial e contratou-o.
Foi, porém, o empréstimo ao Alavés que lhe deu a primeira temporada completa no principal escalão. Oito golos em 36 jogos mostraram que havia mais do que projeção física num avançado ainda em formação.
A medalha de ouro olímpica por Espanha aumentou a valorização antes da chegada ao Dragão.
O FC Porto começou por investir 15 milhões de euros em metade do passe e acabaria por adquirir a totalidade dos direitos do jogador, transformando Samu numa das apostas financeiras mais relevantes da sua história.
O nome que hoje utiliza também transporta parte dessa história.
Depois de ter sido apresentado como Samu Omorodion, pediu para passar a ser conhecido por Aghehowa, apelido da mãe que sempre identificou como principal referência pessoal.
Agora há outro marco pela frente.
Novembro não representa apenas uma previsão clínica.
Representa a possibilidade de voltar a fazer aquilo que interrompeu em fevereiro.
Jogar.
E marcar.















