O Sporting ganhou ao Vitória SC por 3-2, mas as palavras que ficaram de Alvalade foram menos próprias de uma vitória do que de um aviso. «Desconfiança», «medo», «tremedeira» e «duas caras» atravessaram as diferentes leituras de um encontro em que os leões chegaram ao intervalo a vencer por 3-0 e passaram a segunda parte inteira sem conseguir um único remate.
Rui Borges reconheceu que a equipa perdeu energia, pressão e agressividade depois do intervalo. O treinador viu os jogadores tornarem-se «permissivos» e «macios» e admitiu que, depois do primeiro golo vimaranense, o Sporting ficou «meio abananado» e voltou a entrar na «desconfiança». Para o técnico, parte do fenómeno pertence às «dores de crescimento» de um conjunto renovado e com vários jogadores jovens.
Ioannidis tornou explícita a componente psicológica. «Sentimos o medo pelo que aconteceu na semana passada», afirmou, numa referência ao empate com o Estrela da Amadora depois de uma vantagem de 2-0. O avançado reconheceu que o Sporting entrou na segunda parte com menos concentração, apesar de ter sido uma das grandes figuras da noite, com um golo e participação direta nos outros dois.
A mesma inquietação apareceu fora do balneário. António Bessone Basto comparou o problema a uma «gripe» trazida da Amadora e considerou anormal a «tremedeira» da equipa. Sousa Cintra viu uma primeira parte «à Sporting», seguida de uma repetição do que acontecera na jornada inaugural, enquanto Tito Arantes Fontes resumiu a exibição a um leão de «duas caras» e considerou o resultado melhor do que o desempenho.
As críticas convergem porque o padrão já não pode ser explicado apenas pelo marcador. Na Reboleira, o Sporting fez o 2-0 e deixou de rematar 36 minutos antes do fim. Frente ao Vitória, o último remate de toda a equipa foi ainda mais cedo: o disparo de Altimira para o 3-0, a 59 minutos do apito final. Depois disso, zero remates.
Do lado vimaranense, Tiago Margarido atribuiu a transformação essencialmente à atitude. As três alterações ao intervalo ajudaram, mas o treinador colocou a diferença na agressividade, capacidade de pressão e disponibilidade para jogar para a frente. João Mendes foi igualmente severo com a primeira parte e pediu desculpa aos adeptos pelo desempenho até ao intervalo.
Rui Borges rejeitou, entretanto, que os assobios dirigidos a Luis Suárez revelem qualquer problema interno. O treinador garantiu que o colombiano continua a contar, recordou a importância que teve na época anterior e explicou que ainda não está nas melhores condições para suportar 90 minutos.
No extremo oposto emocional da noite esteve Flávio Gonçalves. Aos 19 anos, marcou pela primeira vez pela equipa principal em Alvalade e descreveu o momento como uma «sensação inexplicável», antes de colocar o feito individual abaixo do objetivo coletivo: ser campeão.
O Sporting sai da segunda jornada com quatro pontos e uma vitória que era necessária. Sai também com um diagnóstico cada vez menos difuso. Não lhe falta capacidade para dominar e marcar. Falta-lhe impedir que uma quebra de intensidade se transforme em perda de campo e que a perda de campo faça regressar uma desconfiança que, agora, os próprios jogadores reconhecem.















