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0-7 em Rio Maior entra no pódio das maiores goleadas do Benfica no século XXI

Casa Pia surge em terceiro numa lista encabeçada pelo histórico 10-0 ao Nacional. Entre as dez maiores vitórias encarnadas deste século há quatro resultados com sete golos de diferença.

A goleada por 0-7 ao Casa Pia colocou a noite de Rio Maior entre os resultados mais volumosos do Benfica no século XXI. Na ordenação das dez maiores vitórias encarnadas desde 2001, o triunfo da segunda jornada desta Liga aparece em terceiro lugar, apenas atrás do 10-0 ao Nacional, em 2019, e do 8-1 ao Vitória de Setúbal, em 2009.

O topo continua destacado. A 10 de fevereiro de 2019, o Benfica esmagou o Nacional por 10-0 na 21.ª jornada do campeonato, naquela que permanece a maior goleada alcançada no novo Estádio da Luz. O clube não obtinha no campeonato um resultado com dez golos de diferença desde 1964. Grimaldo abriu o marcador logo no primeiro minuto e Seferovic e Jonas bisaram numa noite em que oito jogadores diferentes marcaram.

Em segundo aparece o 8-1 ao Vitória de Setúbal, de 31 de agosto de 2009. Também na Luz e também para o campeonato, o Benfica chegou ao intervalo já com cinco golos marcados. É um resultado com a mesma diferença de sete golos agora conseguida frente ao Casa Pia, mas com oito remates certeiros dos encarnados.

Rio Maior surge imediatamente a seguir. O 0-7 de 17 de agosto de 2026 coloca o Casa Pia em terceiro e tem uma característica que o distingue dos dois resultados que o antecedem: foi conseguido fora da Luz. A dimensão da goleada ganha também peso por ter surgido logo depois do empate do Benfica na primeira jornada, transformando uma resposta necessária num dos maiores resultados do clube em 25 anos.

O quarto lugar pertence ao 7-0 sobre o Estrela da Amadora, na quarta eliminatória da Taça de Portugal de 2024/25. Foi a noite em que Di María assinou um hat-trick em 18 minutos e o Benfica associou simbolicamente os sete golos à homenagem a Nené, histórico camisola 7 dos encarnados.

A quinta posição exige contexto próprio. O 0-7 frente à B SAD, em novembro de 2021, não foi um jogo normal: a equipa da casa começou com apenas nove jogadores devido a um surto de covid-19 e a partida foi encerrada aos 48 minutos, quando ficou reduzida a seis, abaixo do mínimo regulamentar. O marcador naquele momento, que se tornou resultado final, era já 0-7. Darwin marcou três, Seferovic dois e Weigl um, além de um autogolo de Kau.

Segue-se o 7-0 ao Paços de Ferreira, em novembro de 2002. Depois aparece outro jogo de sete golos marcados, mas com resposta adversária: o 7-1 ao Marítimo, em dezembro de 2021, numa noite em que Darwin bisou e Rafa fez quatro assistências. Os três últimos lugares da lista são ocupados por goleadas de 6-0. O Benfica-Auckland City, no Mundial de Clubes de 2025, aparece em oitavo; segue-se o 6-0 ao Aves SAD, em abril desse mesmo ano; e o Benfica-Marítimo de abril de 2019 fecha o grupo das dez maiores vitórias encarnadas do século. No encontro com o Auckland, disputado em Orlando e interrompido durante mais de duas horas por uma tempestade, Di María e Leandro Barreiro bisaram. A sequência completa mostra também a excecionalidade do que aconteceu com o Casa Pia. O Benfica já tinha chegado aos sete golos sem resposta três vezes neste século, mas só o histórico 10-0 ao Nacional apresenta uma diferença superior. O 8-1 ao Vitória de Setúbal iguala os sete golos de margem, ficando à frente na ordenação pelo número total de golos marcados pelos encarnados. A galeria que reúne os dez resultados coloca precisamente o Casa Pia-Benfica no terceiro lugar.

Há, contudo, uma perspetiva histórica que relativiza a raridade dentro de um clube com mais de um século de futebol. O 0-7 de Rio Maior é apenas a 47.ª maior vitória de toda a história do Benfica, sinal de quanto os resultados esmagadores das primeiras décadas e de grande parte do século XX continuam a ocupar os lugares superiores dos registos.

No futebol contemporâneo, onde diferenças desta dimensão são muito menos comuns entre equipas do mesmo principal escalão, os sete de Rio Maior têm outro peso. O Casa Pia não foi apenas derrotado. Passou a fazer parte da pequena coleção de noites em que o Benfica levou o marcador para uma dimensão histórica.