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Navegação principal da época 2026/27.

Onze minutos sem dono: Alverca e Estrela viraram o jogo um ao outro e acabaram iguais

Antonetti colocou os tricolores na frente, Ian Luccas e Vivaldo consumaram uma reviravolta relâmpago e Abraham Marcus respondeu para o 2-2. Rafa Soares assinou duas assistências e a expulsão de Chiquinho obrigou o Alverca a proteger com dez o primeiro ponto no campeonato.

Houve uma primeira parte para construir o jogo e onze minutos para quase o destruir. Alverca e Estrela da Amadora empataram 2-2 numa tarde em que os quatro golos apareceram entre os 59 e os 70 minutos, as duas equipas estiveram em vantagem e nenhuma conseguiu conservar o que conquistara. No fim, o Estrela somou o segundo empate consecutivo pelo mesmo resultado e o Alverca conquistou o primeiro ponto da temporada.

Os ribatejanos começaram melhor. Mantendo o onze que tinha iniciado a derrota no Dragão, procuraram aproveitar o fator casa e foram os primeiros a aproximar-se com perigo. Figueiredo ainda colocou a bola na baliza, mas Nabil Touaizi estava em fora de jogo, e o próprio Touaizi obrigou depois Leo Linck a uma intervenção difícil.

O Estrela precisou de algum tempo para encontrar o jogo. Quando o conseguiu, passou a ocupá-lo melhor. Pepa tinha alterado três peças relativamente ao empate frente ao Sporting, lançando Jefferson Encada, Lekovic e Robinho, e os tricolores começaram progressivamente a chegar com maior perigo à área contrária.

Antonetti teve nos pés uma ocasião flagrante depois de Robinho acertar no poste, mas não conseguiu aproveitar a recarga. Pouco antes, o brasileiro já tinha criado um dos melhores momentos da primeira parte, recebendo de costas para a baliza e improvisando um remate acrobático que obrigou Matheus Mendes a desviar a bola para o ferro.

O equilíbrio do marcador ao intervalo escondia, assim, uma pequena mudança na relação de forças. O Alverca começara melhor; o Estrela terminara melhor. Rafa Soares reconheceria depois que os tricolores passaram parte da primeira metade num bloco demasiado baixo e cometeram erros, mas a capacidade para subir linhas acabou por preparar aquilo que aconteceu imediatamente depois do descanso.

O primeiro golpe nasceu precisamente do lateral. Rafa Soares encontrou espaço pela esquerda e colocou um cruzamento medido na área. Antonetti, depois do desperdício anterior, atacou a bola de cabeça e fez o 0-1. O avançado marcou pelo segundo jogo consecutivo, depois de também ter faturado frente ao Sporting, e voltou a dar expressão à capacidade do Estrela para sobreviver aos momentos em que o jogo não lhe corre de feição.

A vantagem durou sete minutos.

O Alverca encontrou na mesma faixa esquerda a resposta que o Estrela usara para marcar. Isaac James avançou e cruzou para Ian Luccas aparecer de cabeça e restabelecer a igualdade. Mal o jogo tinha recomeçado e surgiu a reviravolta: Figueiredo progrediu pela esquerda, colocou a bola rasteira na área e Vivaldo lançou-se em carrinho para fazer o 2-1.

Em três minutos, o Alverca tinha passado de derrotado a vencedor. O problema foi acreditar que a vertigem já tinha acabado.

Aos 70, Rafa Soares voltou a ganhar espaço para cruzar. Abraham Marcus apareceu sem marcação ao segundo poste e finalizou de primeira, devolvendo o empate ao marcador e oferecendo ao lateral a segunda assistência da tarde. Não foi apenas repetição estatística: os dois golos do Estrela nasceram da mesma capacidade para criar largura pela esquerda e encontrar homens em zonas de finalização antes de a defesa ribatejana conseguir ajustar.

Rafa Soares terminaria o encontro como uma das figuras inevitáveis. Duas assistências, regularidade defensiva e capacidade permanente para fazer o jogo avançar pelo corredor. No final, considerou que o Estrela tinha entrado melhor na segunda parte e que, pelo volume produzido, poderia até ter retirado algo mais do encontro. Preferia a vitória às duas assistências.

O Alverca teve de olhar para os minutos finais de outra maneira. A expulsão de Chiquinho, aos 74 minutos, deixou os ribatejanos reduzidos a dez e transformou a procura do terceiro golo numa gestão de risco. Com inferioridade numérica, a prioridade passou inevitavelmente por não perder aquilo que a equipa acabara de recuperar.

Figueiredo traduziu essa mudança no final. O capitão considerou o empate justo e salientou a capacidade da equipa para se adaptar à inferioridade numérica. O Alverca queria os três pontos, mas, depois da expulsão e de uma partida em permanente mutação, o primeiro ponto da temporada ganhou um valor que o resultado isolado talvez não mostrasse.

O Estrela saiu com uma sensação diferente. Contra o Sporting tinha recuperado de 0-2 para 2-2; em Alverca marcou primeiro, sofreu uma reviravolta e voltou a responder. Antonetti destacou precisamente essa capacidade de reação: a equipa esteve na frente, foi ultrapassada e conseguiu regressar ao jogo. Dois encontros, quatro golos marcados, quatro sofridos e duas demonstrações de resistência, mas ainda nenhuma vitória.

Há, no entanto, uma diferença entre resistir e controlar. O Estrela continua a mostrar que sabe voltar aos jogos, mas ainda não conseguiu passar da reação à imposição. O Alverca, por seu lado, demonstrou capacidade para transformar um encontro em poucos minutos, mas ficou exposto à mesma velocidade com que o tinha virado.

O calor intenso, num encontro iniciado às 15h30 perante 1514 espectadores, ajudou ainda a tornar mais pesado um jogo que exigiu sucessivas mudanças de ritmo. As cautelas aumentaram depois da expulsão e os últimos minutos já não tiveram a liberdade ofensiva do período anterior.

O 2-2 acaba por aceitar-se porque contém praticamente tudo o que as duas equipas fizeram bem e mal. O Estrela criou mais perigo durante fases importantes e teve em Rafa Soares o jogador que melhor percebeu onde atacar. O Alverca foi capaz de responder a uma desvantagem e virar o marcador em três minutos, mas não conseguiu estabilizar depois da cambalhota.

E foi essa a história da tarde. Não faltou capacidade para chegar à frente; faltou capacidade para ficar lá. Durante onze minutos, cada golo parecia resolver o encontro e apenas preparava o seguinte. Quando finalmente o jogo parou de mudar, já ninguém tinha vantagem para guardar.