O FC Porto precisou de sofrer o primeiro golo do campeonato para encontrar a intensidade que lhe faltou no início. O Moreirense identificou bem os espaços deixados pelos dragões, chegou à vantagem aos 20 minutos e obrigou a equipa de Francesco Farioli a resolver um problema diferente dos anteriores. A resposta apareceu primeiro pela bola parada e depois através da largura: Bednarek empatou aos 37 e William Gomes fez o 2-1 aos 58, resultado que mantém o campeão só com vitórias após cinco jornadas.
O Moreirense não entrou no Dragão apenas para sobreviver.
Vasco Botelho da Costa montou uma estrutura defensiva capaz de baixar bastante sem abdicar da saída rápida sempre que ultrapassava a primeira pressão portista. A primeira grande oportunidade revelou logo o perigo: Parsemain escapou desde o meio-campo perante uma descoordenação defensiva, mas procurou oferecer o golo em vez de finalizar e permitiu a recuperação de Diogo Costa.
O aviso não alterou imediatamente o FC Porto.
A circulação esteve mais lenta do que nos jogos anteriores, houve alguma imprecisão na primeira fase e faltou agressividade para recuperar a bola antes de o Moreirense conseguir acelerar.
Foi precisamente daí que nasceu o 0-1.
Bednarek tentou um passe arriscado, Landerson conduziu a transição e colocou João Veloso em condições de cruzar. Dinis Pinto apareceu no segundo poste e finalizou de primeira, tornando-se o primeiro jogador a bater Diogo Costa nesta edição da Liga.
O golo mudou o comportamento portista.
O FC Porto começou a encontrar mais vezes os corredores e obrigou a organização defensiva do Moreirense a decidir constantemente entre fechar por dentro e proteger a profundidade.
William Gomes ganhou influência.
O brasileiro oferecia largura à direita, atacava o espaço exterior e dava ao FC Porto uma forma de acelerar sem ter de atravessar permanentemente o bloco adversário pelo centro.
A partir da meia hora, o jogo inclinou-se.
O Moreirense passou a defender mais perto da própria área e perdeu capacidade para conservar a bola depois das recuperações. André Ferreira começou a ser chamado com frequência e o empate acabou por surgir numa bola parada.
Livre na direita.
William Gomes colocou a bola na área e Bednarek ganhou o espaço central para cabecear para o 1-1 aos 37 minutos.
A segunda parte confirmou a mudança.
O FC Porto regressou muito mais agressivo na pressão, encurtou rapidamente sobre a primeira bola do Moreirense e passou a recuperar posse já em território ofensivo. Parsemain ficou demasiado isolado para permitir aos minhotos respirar através do jogo direto.
O 2-1 nasceu aos 58 minutos e sintetizou a evolução portista.
Froholdt deu continuidade à jogada, Pepê apareceu pela esquerda e cruzou para o segundo poste. William Gomes atacou o espaço contrário e finalizou de primeira.
Cinco jogadores do FC Porto estavam dentro da área.
Não foi apenas um golo de superioridade técnica. Foi um golo produzido pela capacidade de deslocar o bloco adversário para um lado e ocupar rapidamente a zona oposta com vários homens.
A partir daí, o FC Porto teve ocasiões para fechar o encontro.
André Ferreira acumulou intervenções e manteve o Moreirense a uma jogada do empate.
E essa jogada quase chegou.
Dinis Pinto apareceu novamente em zona perigosa e obrigou Diogo Costa a uma defesa decisiva, lembrando que os dragões controlavam o encontro sem o terem resolvido.
Santiago Giménez entrou aos 75 minutos para a estreia e ainda obrigou André Ferreira a duas boas intervenções nos descontos, deixando sinais de um avançado que procura recuperar ritmo sem perder a tendência para procurar imediatamente a baliza.
Mas os últimos minutos deixaram de ser sobre futebol.
Num lance dividido, Guilherme Liberato atingiu Froholdt na cabeça e o dinamarquês caiu inanimado.
Bednarek percebeu imediatamente a gravidade.
O central correu para o companheiro e procurou colocá-lo em posição lateral de segurança, procedimento de primeiros socorros destinado a manter desimpedidas as vias respiratórias de uma pessoa inconsciente. A proximidade da equipa médica tornou desnecessário completar o procedimento, mas a reação mostrou que o polaco sabia o que fazer antes da chegada dos profissionais.
Kiwior aproximou-se rapidamente.
Diogo Costa, mais distante do lance, reuniu jogadores das duas equipas para formar uma barreira em redor do companheiro e proteger a assistência médica da exposição do estádio.
Não foram gestos improvisados por acaso.
O FC Porto promove formação regular em primeiros socorros junto das equipas e dos staffs dos diferentes escalões, precisamente para preparar respostas em situações raras em que alguns segundos podem ganhar uma importância completamente diferente da de qualquer lance.
Froholdt recuperou a consciência ainda no relvado e seguiu para o hospital, onde permaneceu em observação.
Bednarek acabou, assim, ligado aos dois momentos mais diferentes da noite.
Primeiro subiu na área para marcar o golo que devolveu o FC Porto ao jogo.
Depois ajoelhou-se no relvado para ajudar um companheiro que precisava de algo muito mais importante do que um resultado.
O Moreirense encontrou primeiro uma forma de expor o campeão.
O FC Porto encontrou depois as soluções para virar.
E o futebol terminou antes do apito final, no instante em que todo o Dragão percebeu que havia outra coisa para proteger.















