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Navegação principal da época 2026/27.

Maxi construiu o contacto e João Pinheiro assinalou um penálti que não existiu

A grande penalidade abriu um jogo que permanecia fechado. O movimento do jogador do Sporting revela uma abordagem orientada para provocar o contacto e obter a decisão, não uma queda causada por uma intervenção ilícita de Leo Santos.

João Pinheiro errou no lance que decidiu a primeira parte do Sporting-Nacional. Aos 31 minutos, Maxi Araújo entrou na área, procurou a zona de contacto com Leo Santos e caiu perante a intervenção do defesa. O árbitro assinalou grande penalidade e Luis Suárez marcou o 1-0.

Há contacto.

Não há falta.

A diferença está na forma como o lance é construído.

Maxi não aborda a jogada apenas para ultrapassar o adversário e continuar em direção à bola. Antes do contacto, ajusta a trajetória ao posicionamento de Leo Santos, prepara o corpo para a colisão e entra na zona ocupada pelo defesa de maneira a criar a situação física que depois utiliza para cair.

A sequência é determinante.

Não é um toque inesperado que interrompe naturalmente a progressão do atacante.

É o próprio atacante que promove o contacto.

Também aquilo que acontece imediatamente depois ajuda a compreender a ação anterior.

A queda é seguida por uma reação instantânea dirigida ao árbitro, praticamente sem intervalo entre o contacto, a ida ao relvado e o pedido de grande penalidade. A expressão facial, a velocidade do protesto e o tempo de reação não demonstram isoladamente uma intenção, mas fazem parte de um comportamento contínuo que começa antes do toque.

Visto como sequência, o lance tem uma lógica clara.

Maxi procura retirar dali uma decisão arbitral.

E consegue.

Isso não significa que um jogador deixe de poder sofrer falta por antecipar um contacto. Significa que, neste caso, é necessário identificar quem cria a ação que provoca a queda.

Leo Santos tenta disputar o lance.

Não executa uma entrada que retire ilicitamente o equilíbrio ao adversário.

Maxi leva o corpo à situação de contacto e utiliza essa aproximação para produzir a queda.

O simples facto de os dois jogadores se tocarem não transforma a jogada numa infração.

O critério decisivo é saber se a ação do defensor derruba o atacante de forma faltosa.

Não derruba.

Por isso, não havia penálti.

O VAR manteve a decisão porque encontrou um contacto visível e a interpretação original de João Pinheiro não foi revertida.

Isso explica a manutenção da grande penalidade.

Não a torna correta.

O erro teve influência direta no jogo.

Até esse momento, o Nacional conseguia manter o Sporting afastado do golo através de um bloco compacto e da excelente exibição de Renato Marin. O próprio lado madeirense identificou posteriormente o penálti como o momento que desbloqueou uma partida que permanecia fechada.

Noutras decisões importantes, João Pinheiro esteve melhor.

Aos quatro minutos, decidiu corretamente não assinalar mão de Zé Vítor dentro da área. A bola atingiu a zona superior do braço, junto ao ombro, com os braços recolhidos e sem aumento irregular da volumetria corporal.

Maxi Araújo viu depois amarelo corretamente por agarrar um adversário e interromper uma transição sem possibilidade de jogar a bola.

Altimira também foi bem advertido aos 20 minutos por cortar um ataque prometedor numa zona frontal próxima da área.

O segundo golo do Sporting, aos 49, é igualmente legal.

No momento do passe de Debast, Suárez está em posição regular, colocado em jogo por William Kokolo. A assistência para Flávio Gonçalves e o 2-0 não apresentam qualquer infração.

Aos 53 minutos, João Pinheiro voltou a falhar.

Zé Vítor toca e derruba Geny Catamo antes da entrada na área.

Não havia penálti, porque a infração ocorreu fora.

Havia livre direto e cartão amarelo por interrupção de ataque prometedor.

Como a falta aconteceu fora da área, o VAR não podia transformar a decisão de campo num livre.

Aos 59 minutos ficou também por mostrar amarelo a Geny.

O jogador do Sporting esticou a perna e atingiu com a sola o pé e a zona do tornozelo de Matheus Dias numa ação negligente.

Também a compensação foi curta.

Um minuto na primeira parte não refletiu um período com penálti, respetiva verificação, golo e cartões.

Os dois minutos dados no final foram igualmente insuficientes para uma segunda parte com golo, várias substituições e novas interrupções.

Nenhuma dessas falhas teve, porém, o peso da decisão dos 31 minutos.

O penálti foi mal assinalado porque o contacto não nasce de uma ação faltosa de Leo Santos. **Maxi Araújo constrói a situação, procura o contacto e prepara a queda para obter a decisão arbitral.**

João Pinheiro viu contacto.

Devia ter visto como ele foi produzido.