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Marco Silva recusa euforia depois dos sete: «A reação tem de ser assim: chegar e ganhar»

Treinador valorizou as entradas fortes nas duas partes, o zero sofrido e o apoio dos adeptos. Goleada não altera prioridades: quinta-feira há Liga Europa e o mercado continua aberto.

Marco Silva saiu satisfeito de Rio Maior, mas recusou permitir que o 0-7 ganhasse um significado maior do que aquele que considera legítimo. Depois do empate na jornada inaugural, o treinador queria sobretudo uma resposta competitiva e encontrou-a numa equipa que entrou forte nas duas partes, pressionou no meio-campo adversário e, desta vez, não deixou o resultado sobreviver ao domínio que exercia.

«Depois de um resultado negativo para nós no começo do campeonato, a reação tem de ser assim: chegar e ganhar», afirmou o treinador, afastando a ideia de que o 2-2 com o Académico de Viseu tivesse resultado de falta de atitude. Para Marco Silva, a exibição da primeira jornada tinha sido melhor do que o resultado, mas faltara eficácia nos momentos que decidiam o jogo.

Em Rio Maior, essa diferença apareceu sobretudo depois do intervalo. O Benfica já vencia por 0-2, mas o treinador não queria uma segunda parte de gestão. Pediu aos jogadores que protegessem a baliza e que resolvessem definitivamente a partida. Pavlidis marcou três vezes entre os 47 e os 54 minutos e, pouco depois, o marcador já estava em 0-7.

«Na entrada em ambas as partes fomos aquilo que temos de ser: querer marcar, pressionar e estar no meio-campo adversário», explicou Marco Silva. Mesmo numa vitória de sete golos, o treinador encontrou um ponto que valorizou tanto quanto a produção ofensiva: Samuel Soares terminou sem sofrer.

A dimensão do resultado também lhe permitiu gerir. Depois do quinto, sexto e sétimo golos, Marco Silva assumiu que a equipa abrandou naturalmente e aproveitou para distribuir minutos. Não viu nisso qualquer quebra competitiva preocupante. Quando um encontro está resolvido, a gestão passa também a fazer parte do jogo.

Houve, contudo, um momento revelador de que o treinador não pretende aceitar displicência apenas porque o marcador é largo. Já com 0-7, Lukebakio teve uma possibilidade de acelerar um ataque e a decisão não agradou ao banco. Marco Silva esbracejou. Depois explicou que continuará a «jogar o jogo com os jogadores», procurando transmitir-lhes calma e emoção, mas também exigência até ao fim.

O técnico destacou ainda um fator exterior ao relvado. «Praticamente jogámos em casa», afirmou, considerando que a presença e o apoio dos adeptos fizeram diferença desde o primeiro minuto. Marco Silva não absolveu a equipa pelo empate da estreia, mas entende que em Rio Maior encontrou um ambiente que empurrou os jogadores desde o início.

Pavlidis tornou-se inevitavelmente um dos temas do pós-jogo. O hat-trick em sete minutos elevou o grego para nove golos nos primeiros cinco encontros oficiais, o melhor arranque da sua carreira, e voltou a colocá-lo no centro das atenções quando o mercado permanece aberto.

Marco Silva não demonstrou qualquer inquietação. «Não temo absolutamente nada», respondeu quando questionado sobre a possibilidade de surgirem novos contactos pelo avançado. O treinador lembrou que, nesta fase, o Benfica tanto pode receber propostas como contactar outros clubes e insistiu que a prioridade da estrutura continua a ser fortalecer o plantel nas posições identificadas.

A confiança não nasceu da goleada. Marco Silva já tinha identificado Pavlidis como uma das peças fundamentais do Benfica antes deste encontro, não apenas pela capacidade de marcar, mas pelo trabalho que oferece com e sem bola. O 0-7 apenas tornou essa importância impossível de ignorar: além dos três golos, o grego assistiu Rafa no segundo e participou constantemente nas ligações ofensivas.

Sudakov viveu a face menos exuberante da noite encarnada. O ucraniano voltou a ser titular e encontrou boas posições, mas não conseguiu transformar as oportunidades em golo. Marco Silva mostrou impaciência em dois momentos da primeira parte e Tomás Araújo aproximou-se do médio na segunda para lhe transmitir confiança depois de Pavlidis marcar o quarto golo da equipa.

A goleada alimentou naturalmente entusiasmo em redor do novo Benfica. Surgiram elogios à intensidade, à velocidade dos jogadores da frente e às primeiras marcas do modelo de Marco Silva. O treinador, porém, procura impedir que um resultado extremo produza conclusões igualmente extremas.

E há uma razão prática para isso. O Benfica recebe o Aarhus na quinta-feira, na primeira mão do play-off de acesso à fase de liga da Liga Europa. Para Marco Silva, esse é agora o verdadeiro teste à utilidade do 0-7: a goleada só terá valor adicional se a equipa for capaz de transportar para o compromisso europeu a mesma seriedade que apresentou em Rio Maior.

Os sete golos deram uma noite de euforia aos adeptos. O discurso do treinador fez o movimento contrário. O Benfica precisava de reagir e reagiu; Pavlidis está num momento extraordinário; a equipa começa a mostrar ideias reconhecíveis. Mas o campeonato está na segunda jornada e a Europa regressa dentro de dias. Marco Silva não quer que o 0-7 seja tratado como uma chegada. Para ele, deve ser apenas um sinal de que o caminho começou a fazer sentido.