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Navegação principal da época 2026/27.

Marco Silva criticou o relvado, explicou as correções e deixou Bah à espera de exames

Treinador do Benfica valorizou a capacidade para ganhar mesmo sem jogar sempre bem e garantiu que não há lugares assegurados. Van der Gaag lamentou a falta de eficácia do Marítimo e encontrou no apoio dos Barreiros um sinal para o resto da época.

Marco Silva saiu dos Barreiros com uma vitória por 3-0, mas começou a análise pelo estado do relvado e terminou-a a falar de concorrência, capacidade de adaptação e da lesão de Alexander Bah. Do outro lado, Mitchell van der Gaag encontrou no período entre os 20 minutos e o segundo golo do Benfica razões para defender que o Marítimo competiu melhor do que o resultado sugere, embora reconhecendo a falha que decidiu o jogo: chegou à área, mas não marcou.

O treinador encarnado foi particularmente duro na avaliação das condições do campo.

«É quase impossível jogar.»

Marco Silva separou a crítica do Marítimo e dirigiu-a às condições oferecidas pelo campeonato, considerando que um relvado daquele nível prejudica aquilo que o futebol português pretende mostrar.

A vitória permitiu-lhe fazê-lo sem transformar a questão numa justificação para o resultado.

Dentro do jogo, identificou uma entrada muito forte do Benfica.

A equipa marcou cedo por Leandro Barreiro, controlou territorialmente e conseguiu impor aquilo que tinha preparado até à lesão de Bah.

Foi aí que o encontro mudou.

O Marítimo passou a pressionar com dois jogadores na primeira linha e condicionou melhor João Palhinha. O Benfica começou a dividir bolas desnecessariamente, perdeu alguma segurança na construção e permitiu aos madeirenses instalar-se mais vezes no meio-campo ofensivo.

Marco Silva atribuiu essa fase sobretudo aos próprios erros.

Van der Gaag viu-a como demonstração da capacidade do Marítimo para responder.

O treinador madeirense reconheceu que a equipa demorou a reagir ao golo sofrido, mas considerou que a partir dos 20/25 minutos começou a encontrar formas de jogar e de empurrar o Benfica para trás.

Guzzo teve um papel importante nessa mudança, muitas vezes a partir do corredor direito e em combinação com Igor Julião.

A dificuldade esteve na última ação.

«Tentámos chegar à área, mas não criámos nada.»

A segunda parte começou da mesma forma.

O Marítimo entrou forte, conseguiu controlar melhor as transições encarnadas e colocou mais jogadores perto da área, mas voltou a não produzir a oportunidade que transformasse o domínio territorial em golo.

Para Van der Gaag, foi aí que passou a possibilidade de mudar o encontro.

«Naquele momento, uma equipa como a nossa precisa de marcar. Não marcámos, é preciso marcar para ganhar.»

O Benfica resistiu e Marco Silva voltou a mexer.

Schjelderup e Circati tiveram, segundo o treinador, um impacto importante na estabilização da equipa. Prestianni mudou de posição, o corredor ganhou maior segurança e Leandro Barreiro passou, durante parte da segunda metade, a jogar um pouco mais próximo de Palhinha.

O segundo golo reduziu definitivamente a margem do Marítimo.

Barreiro marcou novamente e completou o segundo bis desde que chegou ao Benfica.

O médio assumiu a importância individual sem transformar os golos no centro da própria análise.

«Ajudei muito a equipa hoje a ganhar o jogo.»

Também rejeitou a ideia de que a presença de Palhinha o tenha libertado para chegar mais vezes à área.

Marco Silva confirmou a leitura.

Garantiu que a função de Barreiro não mudou relativamente aos jogos em que Enzo ocupa a posição mais recuada e lembrou que o médio já aparecia regularmente em zonas de finalização.

Desta vez marcou.

Duas vezes.

O treinador utilizou o episódio para reforçar uma ideia mais abrangente sobre o plantel.

Não quer uma equipa com onze titulares definidos.

Quer jogadores a disputar posições e um grupo suficientemente competitivo para que as escolhas não sejam automáticas.

«Não há lugares garantidos.»

Marco Silva considera que essa concorrência interna é indispensável para uma época em que o Benfica terá sucessivos jogos e diferentes exigências.

A lesão de Bah introduz já uma dessas necessidades.

O lateral saiu na primeira parte depois de cair fora das quatro linhas e atingir a zona dos fotojornalistas. Terminou a noite com o ombro imobilizado e será submetido a exames para determinar a extensão do problema.

Marco Silva recusou antecipar um prazo de recuperação.

A entrada de Kaminski para o corredor direito também não foi improvisada.

O treinador explicou que essa função vinha a ser trabalhada e permitia manter Rafa em zonas interiores sem alterar aquilo que estava previsto para a construção ofensiva.

Do lado madeirense, Igor Julião manteve a leitura de que os três golos produziram uma diferença demasiado pesada.

O lateral reconheceu a qualidade e o investimento do Benfica, mas valorizou a coragem com que o Marítimo procurou discutir o encontro mesmo quando isso aumentava o risco.

Van der Gaag deixou a mesma ideia por outro caminho.

Não quis que o 0-3 apagasse aquilo que viu durante parte significativa do jogo.

E encontrou nas bancadas um sinal especialmente importante.

Recordou períodos anteriores em que receber o Benfica nos Barreiros podia dar a sensação de jogar fora e destacou a presença e o apoio maritimistas desta vez.

«Estou a sentir uma onda dos maritimistas.»

Foi esse o compromisso que deixou para lá desta derrota.

Um Marítimo que vai lutar.

O Benfica saiu com três golos, três pontos e a baliza novamente intacta.

Marco Silva ficou satisfeito precisamente porque nem tudo correu como queria.

Quando foi necessário jogar melhor, a equipa jogou.

Quando teve de ser compacta, foi.

E quando o jogo deixou de permitir beleza, encontrou outra maneira de ganhar.