Jornada.pt
PesquisarEntrar

Jornadas

Navegação principal da época 2026/27.

João Pinheiro acertou nas áreas e na expulsão, mas deixou faltas e amarelos pelo caminho

Três situações de possível penálti não justificavam castigo máximo e os golos analisados foram legais. As principais falhas estiveram no controlo disciplinar, em livres não assinalados e no curto tempo de compensação.

João Pinheiro acertou nas decisões de maior impacto do Casa Pia-Benfica, mas não fez uma arbitragem sem falhas. Os lances nas áreas que poderiam ter conduzido a grandes penalidades não justificavam castigo máximo, os golos do Benfica analisados por eventual irregularidade foram legais e a expulsão de Khaly nos descontos foi considerada correta. Os reparos surgem sobretudo em infrações não assinaladas, cartões amarelos que ficaram por mostrar e numa compensação demasiado curta em ambas as partes.

Aos 11 minutos surgiu o primeiro lance suscetível de discussão, quando Henrique Araújo caiu na área do Benfica perante Clément Lenglet. João Pinheiro mandou seguir. As imagens disponíveis não oferecem uma perspetiva suficientemente esclarecedora para eliminar toda a dúvida visual, mas não mostram um agarrão, bloqueio ou obstrução do central francês que sustente a marcação de penálti. A decisão de campo manteve-se.

Três minutos depois, a arbitragem teve de validar uma jogada que terminou em golo. Rafa antecipou-se a Rochinha antes de iniciar a transição do 0-2. A recuperação foi legal: o jogador do Benfica atacou a bola sem cometer infração. Depois, no momento do passe de Pavlidis, Rafa encontrava-se em posição regular, com a tecnologia a estabelecer uma margem de 99 centímetros. Nada a apontar na validação.

Aos 24 minutos aparece a primeira falha clara assinalada na leitura técnica do encontro. Gabi Pereira entrou em tackle, tocou na bola mas atingiu simultaneamente Sudakov com a sola e os pitons na zona interior do tornozelo. Tocar primeiro na bola não elimina automaticamente a infração quando a abordagem seguinte é negligente. Deveria ter sido assinalado livre direto para o Benfica e exibido cartão amarelo.

Aos 44 minutos, o erro ocorreu no sentido contrário. Lenglet derrubou Kevin Prieto junto à entrada da área encarnada. A infração foi suficientemente evidente para justificar livre direto favorável ao Casa Pia, mas João Pinheiro deixou o jogo continuar.

Pouco depois surgiu nova situação dentro de uma área. Alexander Bah entrou em contacto com Lawrence Ofori e caiu. Também aqui não havia motivo para penálti. O jogador do Casa Pia tinha a posição conquistada e foi o lateral do Benfica, no movimento de drible, quem acabou por chocar com o adversário. Não é identificada rasteira ou obstrução ilegal.

A primeira parte terminou com apenas um minuto de compensação, decisão considerada demasiado curta para aquilo que tinha acontecido. Só a assistência prestada a Sudakov consumiu tempo próximo ou superior a esse período, ao qual se somaram dois golos e respetivas celebrações. Uma compensação na ordem dos três minutos ajustava-se melhor ao tempo efetivamente perdido.

Logo aos 47 minutos, Pavlidis marcou o terceiro golo do Benfica. A posição do avançado no momento do passe de Rafa era legal. Não existia fora de jogo e a equipa de arbitragem esteve bem ao validar o lance.

Aos 62 minutos, Sebastian Pérez viu amarelo por uma entrada fora de tempo e sem bola. A advertência ajustou-se à natureza negligente da ação.

Três minutos depois surgiu a terceira situação de possível grande penalidade. Schjelderup caiu na área perante Osundina. Existe um contacto ligeiro da mão do defesa nas costas do norueguês, mas sem intensidade ou consequência suficientes para caracterizar carga, empurrão ou rasteira. João Pinheiro fez bem em não assinalar.

Aos 68 minutos, Jatta pisou o calcanhar de Manu durante a passada. Foi uma ação imprudente, mas ligeira e sem intenção aparente, não sendo considerada necessária uma sanção disciplinar.

Aos 78 minutos ficou outro livre por assinalar, desta vez favorável ao Benfica. David Sousa agarrou Prestianni e impediu a progressão do argentino junto ao corredor direito, numa zona próxima do árbitro assistente. A infração passou sem decisão.

Um minuto depois, Khaly recebeu o primeiro amarelo. A bola já não estava em condições de ser disputada quando o defesa esticou a perna, pisou o pé de Jhon Durán e completou a ação com contacto corporal. A advertência disciplinar foi considerada correta.

Aos 87 minutos, Richard Ríos travou Ofori por trás para impedir a saída do Casa Pia em contra-ataque. Tratou-se de uma falta tática e, pela natureza antidesportiva da interrupção, justificava cartão amarelo. João Pinheiro assinalou a infração, mas não completou a decisão disciplinar.

Também a compensação da segunda parte merece reparo. Foram dados apenas dois minutos depois de cinco golos, várias substituições e interrupções disciplinares. A dimensão do marcador não deve alterar a aplicação do tempo adicional: golos marcados e sofridos e respetiva diferença continuam a ter relevância competitiva, tal como os números individuais dos jogadores.

Foi precisamente no período adicional que Khaly voltou a ser sancionado. Aos 90+2, atingiu Prestianni com a mão na face numa ação considerada negligente e antidesportiva. O segundo amarelo e consequente vermelho foram adequados.

Não foi localizada, até ao fecho desta análise, outra apreciação técnica detalhada e publicada sobre este encontro que apresente conclusões diferentes lance a lance. Assim, não existe base para fabricar um confronto artificial de opiniões onde ele não está disponível.

O balanço da arbitragem deve, por isso, separar o essencial dos erros periféricos. João Pinheiro não tomou uma decisão incorreta conhecida nos lances capazes de alterar diretamente o marcador: não existiam os três penáltis reclamáveis, Rafa e Pavlidis estavam em posições legais nos golos analisados e Khaly foi corretamente expulso. Falhou, porém, no controlo de várias infrações e na disciplina correspondente. Foi uma arbitragem sem erro decisivo identificado, mas longe de uma atuação sem reparos.