A discussão entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc em Monza deixou de ser apenas sobre quem teve razão na primeira curva.
Passou a ser sobre quem manda quando os interesses individuais começam a prejudicar a Ferrari.
Hamilton perdeu várias posições depois do contacto com o companheiro e terminou a corrida em sexto.
Leclerc acabaria por abandonar poucas voltas depois.
O britânico foi direto na avaliação.
«Aqui não há regras.»
A comparação com a Mercedes não foi acidental.
Hamilton lembra que, mesmo nos períodos de enorme tensão com Nico Rosberg, existiam limites definidos para a disputa entre os dois pilotos.
Na Ferrari, considera que esses limites não estão suficientemente estabelecidos.
Leclerc prefere retirar dramatismo.
Admitiu que a disputa foi longe de mais, mas rejeitou transformar o episódio numa guerra declarada dentro da equipa.
Hamilton não aceitou dividir a responsabilidade daquela forma.
Considera que estava à frente na segunda curva e que foi ele quem acabou empurrado para fora.
A classificação torna a discussão ainda mais sensível.
Hamilton permanece à frente de Leclerc no Mundial, mas perdeu mais terreno para Kimi Antonelli.
Com cada corrida, diminui o espaço para a Ferrari tratar os dois pilotos como candidatos equivalentes se ainda pretender interferir seriamente na luta pelo título.
Fred Vasseur já admite que esse momento pode aproximar-se.
O responsável da equipa ainda não anunciou ordens, mas reconheceu que a disputa em Monza produziu um resultado negativo para a Ferrari e pretende discutir internamente se será necessário estabelecer prioridades.
Essa decisão não serve apenas para definir quem passa quem.
Serve para evitar que a liberdade interna destrua pontos que nenhum dos pilotos pode continuar a oferecer aos adversários.
Hamilton quer regras.
Leclerc quer continuar a competir.
Agora é a Ferrari que tem de decidir onde termina uma coisa e começa a outra.















