A arbitragem do Sporting-Vitória SC acertou nos lances com maior potencial para alterar o resultado, mas perdeu consistência no capítulo disciplinar. Não ficaram por assinalar penáltis, os cinco golos são regulares e a bola que esteve junto à linha da baliza leonina antes do intervalo não entrou. Os erros concentram-se sobretudo nos amarelos: um foi mostrado indevidamente e dois ficaram por exibir.
O primeiro lance relevante surgiu logo na construção do 1-0. Aos nove minutos, Ioannidis estava em posição legal no momento do passe de Geny Catamo, com Óscar Rivas a colocá-lo em jogo por 67 centímetros. A indicação do assistente estava correta e a confirmação do VAR afastou qualquer dúvida sobre a validade do golo de Flávio Gonçalves.
Aos 24 minutos, Altimira viu bem o amarelo por uma entrada dura sobre Gustavo Silva, atingindo o pé do adversário com a sola e os pitons. Dois minutos depois, Thiago Balieiro também chegou atrasado sobre Flávio Gonçalves e foi corretamente advertido pelo pisão.
O critério disciplinar começou a falhar aos 38 minutos. Óscar Rivas recebeu amarelo num lance em que chegou primeiro à bola e só depois ocorreu o contacto com Flávio Gonçalves, sem pisão ou rasteira que justificasse a sanção. Um minuto depois aconteceu precisamente o contrário: Maxi Araújo entrou em deslizamento, atingiu Gustavo Silva na zona do joelho e interrompeu um ataque prometedor. Havia falta e justificava-se cartão amarelo, mas nenhuma das duas decisões foi tomada.
Aos 42 minutos, uma avaria no sistema de comunicação obrigou a uma interrupção próxima dos dois minutos. Ainda assim, a primeira parte teve apenas dois minutos de compensação. Tendo existido também três golos e três cartões amarelos, o tempo recuperado ficou aquém das interrupções verificadas.
Já nos descontos surgiu um dos lances que poderia ter provocado maior discussão. A bola ficou prensada contra o poste da baliza do Sporting, mas não transpôs totalmente a linha. A decisão de não atribuir golo foi correta: as leis determinam que a bola tem de ultrapassar integralmente a linha de baliza para existir golo.
Na segunda parte, Geny Catamo foi corretamente advertido aos 55 minutos depois de chegar atrasado e pisar João Mendes. Dois minutos depois, também foi acertada a decisão de não assinalar penálti no duelo entre Rui Silva e Samu. Houve contacto inicial entre os dois jogadores, mas o guarda-redes estendeu depois a perna para intercetar a bola sem rasteirar o adversário.
Aos 62 minutos ficou por mostrar o segundo amarelo da partida. João Mendes chegou tarde sobre Geny Catamo e pisou o pé do moçambicano, uma entrada que justificava sanção disciplinar. A distinção entre um contacto meramente negligente e uma entrada que coloca em causa a segurança ou ignora o risco para o adversário é precisamente o que determina a necessidade de advertência.
Logo a seguir, Miguel Nogueira foi corretamente advertido por agarrar Maxi Araújo com os dois braços e impedir a progressão do uruguaio.
Também não há motivo para anular o segundo golo do Vitória. No início da jogada, Zalazar e Tony Strata usam os braços na disputa da bola, sem que exista uma infração suficientemente clara para interromper o lance. A perda do uruguaio deu continuidade à jogada que terminaria no cabeceamento de Ndoye para o 3-2.
Aos 78 minutos, Gustavo Silva recebeu bem o amarelo depois de pisar Vagiannidis numa entrada fora de tempo. Nos descontos, os seis minutos concedidos ajustaram-se melhor ao tempo perdido na segunda parte, considerando os dois golos, as substituições, as advertências e a assistência médica ao lateral do Sporting.
Já aos 90+1, Gonçalo Inácio foi advertido por protestos depois de exigir cartão para um adversário. A falta a favor do Sporting tinha sido corretamente assinalada, mas o lance não justificava a sanção disciplinar pretendida pelo capitão leonino.
O balanço é, portanto, bastante mais positivo nas decisões decisivas do que no controlo disciplinar. Não existe um erro de arbitragem que altere diretamente o 3-2, nem fundamento para contestar qualquer dos golos ou reclamar uma grande penalidade. O problema esteve na coerência dos cartões: amarelo indevido a Óscar Rivas, amarelo em falta para Maxi Araújo e outro por mostrar a João Mendes. A isso junta-se uma compensação demasiado curta antes do intervalo, num jogo em que o essencial foi bem decidido, mas os detalhes ficaram abaixo do mesmo nível.















