Os credores da Boavista SAD rejeitaram o novo plano de recuperação apresentado em tribunal e aprovaram a liquidação da sociedade responsável pelo futebol profissional axadrezado.
A decisão representa o desfecho de um processo que há muito ultrapassara a dimensão estritamente desportiva.
A SAD acumulou dívidas, impedimentos de inscrição de jogadores e sucessivas dificuldades para assegurar a própria atividade, acabando por perder o lugar nos campeonatos profissionais e cair posteriormente para os escalões distritais.
O plano agora rejeitado procurava manter uma estrutura mínima em funcionamento.
A proposta previa que a SAD competisse esta temporada apenas através da equipa de sub-19 na respetiva II Divisão nacional.
A maioria dos credores recusou.
O próprio Boavista clube, que detém uma participação minoritária na SAD, assumiu que a liquidação deixa por recuperar mais de nove milhões de euros de créditos.
A distinção entre clube e SAD torna-se agora especialmente importante.
A liquidação atinge a sociedade que geria o futebol profissional.
O clube atravessa um processo paralelo e conseguiu anteriormente autorização judicial para retomar atividade, condicionado à capacidade de assegurar regularmente as despesas correntes.
São, portanto, duas realidades juridicamente diferentes, apesar da ligação histórica e institucional.
A queda da SAD começou muito antes desta votação.
Problemas financeiros impediram a inscrição de reforços, obrigaram à utilização de jogadores muito jovens e afastaram a equipa do Estádio do Bessa.
Depois de 11 temporadas consecutivas na Primeira Liga, a descida de 2025 abriu uma queda que não voltou a ser travada.
Os credores limitaram-se agora a transformar esse colapso operacional numa decisão jurídica.
A Boavista SAD vai ser liquidada.















