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Bola parada abriu, o banco fechou: FC Porto volta a ganhar por dois e sem sofrer

Nehuén Pérez transformou uma ausência de última hora numa noite de redenção e abriu o marcador num canto de Gabri Veiga. Diogo Costa segurou o 1-0 quando o Rio Ave ameaçou e, quando a energia vilacondense começou a desaparecer, Hwang e Borja Sainz saíram do banco para construir o 0-2.

O FC Porto não precisou de dominar todos os minutos para controlar aquilo que realmente decidiu o jogo. Em Vila do Conde, os dragões foram superiores em dois territórios muito concretos: a bola parada abriu-lhes o caminho e a profundidade do banco fechou-o. Pelo meio, Diogo Costa fez a defesa que impediu o Rio Ave de mudar a história. O resultado foi outro 2-0, a segunda vitória em duas jornadas e uma baliza que continua sem sofrer golos.

A primeira decisão importante aconteceu antes do apito inicial. Martim Fernandes lesionou-se na coxa esquerda no treino da véspera e Alberto Costa chegava condicionado fisicamente, obrigando Francesco Farioli a improvisar Nehuén Pérez no lado direito da defesa. O argentino, central de origem e sem uma titularidade há quase um ano, respondeu à oportunidade da forma mais improvável: marcando.

O FC Porto ainda procurava estabilizar quando, aos 11 minutos, encontrou no laboratório das bolas paradas aquilo que o jogo corrido ainda não lhe oferecia. Gabri Veiga colocou um canto no segundo poste e Nehuén apareceu livre para cabecear para o 0-1.

Não foi um acaso isolado. As bolas paradas já tinham sido uma arma relevante da equipa de Farioli na temporada anterior e voltaram a causar dificuldades constantes ao Rio Ave. Num segundo canto, Kiwior chegou mesmo a colocar a bola na baliza, mas o VAR detetou posição irregular de Deniz Gül e o golo foi anulado.

O Rio Ave, porém, não se desfez. Nikitscher e Diogo Nascimento conseguiram empurrar progressivamente o meio-campo para a frente, Liavas deu profundidade à direita e Tamble começou a incomodar a defesa portista. O próprio treinador vilacondense reconheceria depois que, durante largos períodos da primeira parte, a equipa conseguiu olhar o campeão «olhos nos olhos».

O momento que poderia ter dividido o jogo em duas histórias surgiu já no período de compensação. Tamble cabeceou colocado e a bola parecia encaminhada para o empate, mas Diogo Costa voou junto à trave e desviou-a. É nestes instantes que a diferença entre controlar um resultado e apenas estar a ganhá-lo se torna visível. O FC Porto saiu para o intervalo com a vantagem que Nehuén lhe dera porque o guarda-redes impediu o Rio Ave de transformar o seu melhor período em igualdade.

A segunda parte começou com os dragões novamente por cima. William Gomes obrigou Van der Gouw a uma boa intervenção e Deniz Gül teve a oportunidade de afastar definitivamente a incerteza: Pepê colocou um cruzamento preciso e o avançado turco cabeceou ao poste.

O 0-1 continuava, por isso, suficientemente curto para manter o Rio Ave dentro do jogo. Mas o relógio começou a jogar a favor de quem tinha mais soluções.

A partir dos 65 minutos, a energia dos vilacondenses diminuiu. Sotiris Silaidopoulos reconheceu-o depois sem rodeios e apontou para uma diferença difícil de esconder: quando o FC Porto precisava de renovar a equipa, podia lançar jogadores como Hwang In-Beom, Borja Sainz, André Silva e Alberto Costa. O treinador do Rio Ave comparou a disparidade a tentar escrever um livro tendo Ernest Hemingway do outro lado.

Farioli mexeu praticamente de rajada. Hwang e Borja entraram aos 66 minutos, Alberto Costa pouco depois e André Silva aos 70. Não foram substituições para conservar o 1-0. Foram substituições que mudaram a qualidade do FC Porto com bola e devolveram-lhe capacidade para ferir um adversário já mais cansado.

O segundo golo nasceu precisamente dessa nova energia. Alberto fez uma diagonal que arrastou a organização defensiva, Hwang recebeu de costas e percebeu imediatamente onde estava o espaço. Com um toque de exterior, colocou Borja Sainz em posição de finalizar. O espanhol não desperdiçou e, aos 82 minutos, fez o 0-2.

Foi uma jogada que condensou a diferença entre os bancos: três jogadores que começaram fora participaram na construção do lance que encerrou o encontro.

O Rio Ave deixou de ter capacidade para responder. A saída de Tamble também lhe retirara o avançado que mais problemas colocara à defesa portista, enquanto o FC Porto encontrou frescura exatamente quando o adversário começou a perder a sua.

Não houve uma exibição esmagadora. Farioli foi o primeiro a reconhecê-lo, admitindo que houve momentos que poderiam ter sido melhor geridos. Mas houve algo que, numa equipa que pretende voltar a discutir o campeonato até ao fim, talvez seja igualmente importante: capacidade para ganhar sem precisar de jogar sempre no limite.

Nehuén ofereceu o primeiro golo, Diogo Costa preservou-o e o banco construiu o segundo. Três momentos, três formas diferentes de superioridade.

O FC Porto leva seis pontos, quatro golos marcados e nenhum sofrido nas duas primeiras jornadas. Dois jogos, dois 2-0. Ainda não deslumbrou durante 90 minutos, mas já começou a construir uma característica que normalmente acompanha quem chega longe: quando o jogo lhe pede respostas diferentes, encontra-as.