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Benfica empata em Edimburgo e fica a dois jogos da fase de liga

Depois do 6-1 na Luz, Marco Silva mudou sete jogadores e usou a vantagem para gerir, observar e dar minutos. O Hearts respondeu com outra intensidade, chegou à vantagem, mas Lukebakio empatou quase de imediato. Segue-se o Aarhus no play-off que decide a entrada na fase de liga.

O Benfica fechou em Edimburgo a eliminatória com o Hearts sem repetir a superioridade esmagadora da primeira mão, mas com o essencial assegurado: o empate a um golo confirmou um resultado agregado de 7-2 e colocou os encarnados no play-off de acesso à fase de liga da Liga Europa.

A vantagem de 6-1 construída na Luz deu a Marco Silva margem para mudar sete jogadores e transformar a segunda mão também num exercício de gestão e avaliação. O Benfica foi mais convincente antes do intervalo, controlou o jogo, criou situações para marcar e voltou a acertar nos ferros, mas perdeu intensidade depois do descanso. O próprio treinador reconheceu a diferença entre as duas partes e admitiu que alguns jogadores ainda não conseguem sustentar durante 90 minutos a intensidade que pretende para a equipa.

O Hearts aproveitou essa quebra e mostrou em Tynecastle uma equipa muito diferente daquela que tinha sido goleada em Lisboa. Ainda viu um golo de Calvin Miller anulado pelo VAR por fora de jogo na construção da jogada e acabaria por chegar mesmo à vantagem através de Tomas Magnusson. A resposta encarnada foi praticamente imediata: José Neto apareceu por dentro e serviu Dodi Lukebakio para o 1-1.

Foi também uma noite relevante para José Neto. Aos 18 anos, o lateral estreou-se como titular nas competições europeias, sentiu um problema no ombro ainda antes do intervalo, foi reavaliado e conseguiu completar os 90 minutos. Marco Silva destacou a inteligência e o potencial do jovem, sem esconder que ainda terá de crescer defensivamente, e valorizou a participação no lance do empate.

A arbitragem teve dois momentos com intervenção ou influência direta do fora de jogo. Aos 42 minutos, uma posição irregular de Jhon Durán antecedeu um lance em que poderia discutir-se uma grande penalidade; aos 54, o VAR anulou corretamente o golo de Calvin Miller por fora de jogo anterior de McPake. Houve ainda dois pedidos de penálti na área escocesa, sobre Richard Ríos e Schjelderup, sem infração considerada suficiente. Na apreciação técnica de Pedro Henriques, a equipa de arbitragem cumpriu num encontro de reduzida dificuldade, embora beneficiando da intervenção do VAR no golo anulado.

O empate deixou também duas leituras diferentes do mesmo jogo. Marco Silva viu uma primeira parte positiva e uma segunda abaixo do nível pretendido, enquadrando o encontro na necessidade de gerir esforço e perceber como jogadores menos utilizados respondem em competição. Wouter Vrancken considerou, pelo contrário, que o Hearts merecia vencer e destacou a coragem com bola e a evolução da equipa escocesa relativamente ao primeiro encontro.

Para o Benfica, porém, a consequência decisiva está à frente. O adversário no play-off é o Aarhus, da Dinamarca: primeira mão na Luz, a 20 de agosto, e segunda a 27, no Randers Stadium. A UEFA confirma que os vencedores do play-off entram na fase de liga da Liga Europa; quem perder segue para a fase de liga da Conference League.

Edimburgo não acrescentou brilho à caminhada europeia do Benfica, mas serviu para fechar sem sobressaltos uma eliminatória praticamente decidida, expor diferenças entre o onze mais utilizado e algumas alternativas e preservar jogadores num calendário já comprimido. O 7-2 agregado encerra o capítulo Hearts. Contra o Aarhus, a margem desaparece: são esses dois jogos que decidem em que competição europeia o Benfica passará o outono.