Sérgio Guelho atravessou o Marítimo-Benfica sem qualquer erro com influência no resultado e acertou nas decisões mais relevantes dentro das duas áreas, na gestão disciplinar e nos lances de fora de jogo. A arbitragem foi globalmente segura, com um reparo claro: o tempo de compensação ficou abaixo daquilo que as incidências justificavam tanto na primeira como na segunda parte.
A primeira situação relevante surgiu aos 13 minutos, no lance que terminou com a lesão de Alexander Bah.
Paulo Henrique começou por disputar o espaço com o ombro e acabou por abrir o braço direito, empurrando o lateral do Benfica, que caiu já fora das quatro linhas e chocou com a zona destinada aos fotojornalistas.
Havia falta.
Não havia razão para cartão amarelo.
O contacto foi imprudente, mas não apresentou intensidade ou natureza que justificasse punição disciplinar.
Aos 22 minutos surgiu a primeira reclamação dentro de uma área.
Prestianni sentiu a mão de Rodrigo Andrade no peito e caiu imediatamente.
O contacto existiu, mas foi breve, sem agarrão ou puxão capaz de impedir a progressão do argentino. Não havia fundamento para grande penalidade.
Há ainda um segundo elemento que reforça a decisão: o início do contacto ocorreu fora da área.
Sérgio Guelho deixou seguir corretamente.
A gestão disciplinar começou a ganhar peso perto do intervalo.
Danilovic viu amarelo aos 39 minutos depois de agarrar de forma persistente a camisola de Rafa e provocar a queda do avançado.
Dois minutos depois, Sudakov foi advertido por travar Raphael Guzzo por trás quando o jogador do Marítimo poderia continuar a progressão e receber a bola.
Aos 42, Igor Julião também viu amarelo.
O lateral já tinha cometido várias infrações e voltou a entrar sobre Pavlidis, justificando a sanção por persistência.
O problema da primeira parte não esteve nesses cartões.
Esteve no relógio.
O árbitro acrescentou apenas um minuto, apesar de terem existido um golo, três amarelos, uma intervenção disciplinar junto do banco, uma substituição e a interrupção associada à lesão de Bah.
Mesmo tendo a assistência ao lateral decorrido maioritariamente fora do terreno, passaram cerca de 82 segundos entre a falta e o recomeço do encontro.
Um minuto foi manifestamente insuficiente.
Na segunda parte surgiu outra reclamação de penálti, desta vez do Marítimo.
Aos 51 minutos, Lenglet colocou as mãos sobre Danilovic durante uma bola parada.
Há contacto.
Não há ação suficientemente intensa ou prolongada para configurar infração.
A decisão de não assinalar penálti foi correta.
Tomás Araújo viu depois amarelo aos 61 minutos por agarrar persistentemente a camisola de um adversário que procurava progredir.
Dois minutos mais tarde apareceu uma das decisões tecnicamente mais importantes da noite.
Pavlidis foi isolado e marcou, mas o golo foi anulado por fora de jogo.
A decisão estava certa.
No momento do passe, o avançado do Benfica encontrava-se 87 centímetros à frente do penúltimo adversário. O assistente assinalou a posição irregular e o VAR confirmou-a.
Aos 64 minutos, o Marítimo pediu um segundo amarelo para Igor Julião num duelo com Prestianni.
Também aqui Sérgio Guelho decidiu bem.
O lateral esticou a perna e tocou primeiro na bola. O contacto posterior entre os jogadores resulta da disputa e não configura falta.
Não havia, portanto, livre nem fundamento para nova sanção disciplinar.
Dois minutos depois, Alessandro Circati viu amarelo corretamente por agarrar de forma deliberada um adversário que iniciava uma transição depois da linha de meio-campo.
Também o segundo golo do Benfica exigia atenção ao fora de jogo.
Aos 71 minutos, Pavlidis assistiu Leandro Barreiro para o 0-2.
O médio estava em posição regular.
A margem foi de 55 centímetros relativamente ao penúltimo defensor, pelo que não existia qualquer infração.
A principal insuficiência da arbitragem voltou a aparecer no final.
Sérgio Guelho deu três minutos de compensação na segunda parte.
Foi novamente pouco.
Tinham existido dois golos, avaliação das respetivas situações, um golo anulado e quatro paragens para substituições, com oito jogadores a entrar.
O encontro justificava mais tempo.
É, porém, uma falha de gestão temporal e não uma decisão que altere a leitura competitiva da partida.
Nas situações que podiam mudar verdadeiramente o jogo, Sérgio Guelho esteve bem.
Não inventou penáltis.
Não expulsou quem não devia.
Validou corretamente o segundo golo.
Teve o apoio certo do assistente e do VAR no golo anulado a Pavlidis.
A leitura da Jornada é, por isso, mais precisa do que a primeira versão do artigo: **boa arbitragem nas decisões técnicas e disciplinares, sem erro relevante nas áreas ou nos golos, mas com compensação insuficiente nas duas partes**.















