O Académico de Viseu precisou de quatro minutos para marcar e de tudo o que tinha durante os 86 seguintes para proteger esse golo. João Guilherme assinou o 0-1 em Barcelos e os viseenses conquistaram a primeira vitória desde o regresso à Liga, sobrevivendo depois a um domínio quase permanente do Gil Vicente e a 34 remates da equipa da casa.
O jogo decidiu-se cedo.
Na primeira chegada verdadeiramente perigosa do Académico, João Guilherme recebeu espaço para trabalhar à direita e finalizou com qualidade antes de o Gil Vicente conseguir estabilizar defensivamente.
Era apenas o minuto quatro.
O problema para o Académico começou precisamente aí.
A vantagem permitia-lhe baixar, proteger zonas interiores e obrigar o adversário a encontrar soluções perante uma equipa cada vez mais compacta.
O Gil Vicente aceitou o desafio.
Com mais bola e mais presença territorial, começou progressivamente a empurrar os visitantes para perto da própria área.
A diferença esteve na transformação desse domínio em eficácia.
Os gilistas remataram 34 vezes.
Apenas sete acertaram na baliza.
O Académico rematou seis.
Só uma finalização foi enquadrada.
Entrou.
A partir daí, a figura do jogo passou a ser Ewerton.
O guarda-redes respondeu sempre que o volume ofensivo do Gil Vicente conseguiu ultrapassar a densidade defensiva à sua frente e conservou uma vantagem que se tornava cada vez mais difícil de proteger à medida que os minutos passavam.
A equipa de Barcelos intensificou a pressão na segunda parte.
Subiu laterais, acumulou jogadores em zonas de finalização e obrigou o Académico a defender durante longos períodos sem conseguir respirar através da posse.
Buatu chamou-lhe um «amasso».
A expressão descreve a relação territorial.
Não descreve o marcador.
O Gil Vicente chegou mesmo a introduzir a bola na baliza perto do final, mas o lance foi anulado.
O Académico voltou a sobreviver.
João Guilherme destacou depois aquilo que o jogo tinha demonstrado: o golo pertence-lhe, mas a vitória nasceu sobretudo da capacidade coletiva para defender.
Ewerton, distinguido individualmente, recusou igualmente apropriar-se do resultado.
O Académico sabia que ia sofrer.
Sofreu muito mais do que provavelmente gostaria.
Mas soube exatamente onde sofrer.
O Gil Vicente teve bola, território, cantos e remates suficientes para construir várias partidas.
Faltou-lhe aquilo que o adversário conseguiu na primeira oportunidade.
Um golo.
O Académico regressou à Liga para viver noites como esta.
Em Barcelos conquistou a primeira vitória.
Não pela quantidade do que criou.
Pela capacidade de proteger durante quase um jogo inteiro aquilo que criou primeiro.















