O Sporting começou a Liga dos Campeões submetido à intensidade do Galatasaray e acabou-a a controlar um adversário que durante os primeiros 20 minutos quase não o deixara jogar. O 3-1 nasceu dessa transformação: os turcos marcaram cedo, dominaram territorialmente e perturbaram a construção leonina, mas não aproveitaram o período em que tiveram maior superioridade; Geny Catamo empatou aos 27 minutos, Luis Suárez completou a reviravolta de penálti aos 57 e Rodrigo Zalazar resolveu praticamente o encontro seis minutos depois, quando colocou um livre direto no ângulo.
Rui Borges mexeu em três posições relativamente ao triunfo sobre o Nacional, lançando Vagiannidis, Eduardo Quaresma e Luís Guilherme, mas o Sporting demorou a reconhecer o ritmo que a Champions lhe estava a exigir. O Galatasaray pressionou alto, povoou o meio-campo e retirou tempo a Altimira e Doumbia para ligarem o primeiro passe aos homens da frente, obrigando os leões a perder bolas cedo e a jogar durante demasiado tempo de costas para a baliza adversária.
O 0-1 apareceu aos cinco minutos num lance igualmente desconfortável para a defesa. Um lançamento lateral foi prolongado para a área, Rui Silva ainda defendeu junto à linha e a segunda bola acabou por desviar em Gonçalo Inácio antes de entrar. A tecnologia confirmou que tinha ultrapassado completamente a linha e o Galatasaray viu o marcador acompanhar aquilo que vinha a fazer melhor no campo.
Durante alguns minutos, o Sporting acelerou quando precisava de ganhar clareza. Luís Guilherme, Geny e Zalazar trocavam posições atrás de Suárez, mas a mobilidade só começou a ser útil quando a equipa conseguiu ultrapassar a primeira linha turca e passou a encontrar jogadores de frente para uma defesa obrigada a recuar. Aos 19 minutos, Suárez ainda colocou a bola na baliza numa jogada anulada por fora de jogo de Maxi Araújo; oito minutos depois, a evolução já produziu um golo válido.
Eduardo Quaresma teve peso na origem da jogada ao transportar a bola e eliminar adversários, Maxi apareceu depois pela esquerda e o corte incompleto dentro da área deixou a bola à disposição de Geny, que rematou de pé esquerdo para o 1-1. O Sporting ainda não dominava o encontro, mas deixara de estar condenado a reagir apenas ao que o Galatasaray fazia.
Os turcos conservaram perigo até ao intervalo. Sané desperdiçou uma oportunidade clara para recuperar a vantagem e, do outro lado, uma recuperação de Altimira permitiu a Suárez obrigar Çakır a intervir. O 1-1 ao descanso contava, por isso, duas histórias diferentes: o Galatasaray tinha sido claramente superior no início, mas o Sporting chegara ao intervalo já capaz de discutir o jogo nas mesmas zonas.
O recomeço ainda foi atrasado por uma indisposição de Eduardo Quaresma, que precisou de vomitar antes de regressar ao campo e levou Debast a iniciar o aquecimento. O central conseguiu continuar e a equipa que reapareceu com ele já era diferente daquela que começara a partida. O Sporting ganhou agressividade nos duelos, aproximou melhor as linhas depois da perda e começou a sair da pressão com muito maior verticalidade.
Foi numa dessas saídas que nasceu o lance da reviravolta. Rui Silva iniciou rapidamente, Doumbia encontrou Suárez nas costas da defesa e o colombiano ultrapassou Çakır antes do duelo com Ismail Jakobs que Espen Eskås transformou em grande penalidade. A decisão resistiu a cerca de dois minutos de VAR, embora viesse depois a tornar-se um dos grandes motivos de contestação do Galatasaray.
Suárez não participou nessa discussão.
Esperou e marcou.
O 2-1 aos 57 minutos obrigou o Galatasaray a correr atrás de um jogo que tinha começado por dominar e aumentou o espaço de que o Sporting já aprendera a beneficiar. Okan Buruk lançou Rafael Leão, mas os leões precisaram de apenas seis minutos para transformar a reviravolta numa vantagem de dois golos.
Luís Guilherme arrancou pela esquerda e sofreu a falta que entregou a bola a Zalazar. O uruguaio bateu por cima da barreira, fez a bola descer no momento exato e colocou-a no ângulo de Çakır para o 3-1.
A partir daí, o Sporting já não teve de procurar permanentemente o risco e podia escolher quando acelerar. Altimira ainda apareceu isolado perante Çakır e teve a oportunidade de fazer o quarto, enquanto Rui Borges começou a gerir jogadores e esforço com Famalicão à espera no domingo. O Galatasaray recuperou mais posse perto do fim, mas nunca recuperou a autoridade dos primeiros minutos nem voltou a criar perigo suficiente para colocar o resultado verdadeiramente em causa.
Torreira admitiu depois que a equipa turca pagou caro os erros e Rui Borges encontrou precisamente aí uma das diferenças da noite. O Sporting não jogou sempre melhor, mas cresceu enquanto o adversário perdeu capacidade para transformar a superioridade inicial em consequência.
É isso que dá valor ao 3-1 para além dos primeiros três pontos.
Na época passada, o Sporting construiu em Alvalade uma parte importante da caminhada até aos quartos de final da Champions. A nova campanha começou com uma exigência diferente: antes de mostrar que sabia mandar no jogo, teve de mostrar que conseguia sobreviver quando era o adversário a mandar.















