Durante meia hora, Nacional e Alverca dividiram um jogo equilibrado, com perigo suficiente para manter os dois guarda-redes atentos e sem que nenhuma das equipas conseguisse impor verdadeiramente a sua vontade. Depois chegaram oito minutos que alteraram tudo. Entre os 34 e os 42, os ribatejanos marcaram três vezes, aproveitaram cada desequilíbrio que encontraram e construíram a vantagem que acabaria por lhes dar a primeira vitória no campeonato.
A pausa para hidratação aos 31 minutos coincidiu com a mudança de velocidade. Até aí, Renato Marín já tinha negado o golo a Davy Gui e Dawda Camará, enquanto Matheus Mendes respondera a Pablo Ruan. O Nacional mantinha-se dentro de um encontro repartido, mas regressou da interrupção sem capacidade para acompanhar a agressividade com que o Alverca passou a atacar os corredores.
Aos 34 minutos, Chiquinho ganhou espaço pela direita e colocou uma bola rasteira na área. Chissumba apareceu livre, teve tempo para enquadrar o remate e colocou-a junto ao poste. Dois minutos depois, Diogo Spencer voltou a encontrar espaço pelo mesmo lado e cruzou para Dawda Camará cabecear para o 0-2.
O Nacional ainda procurava perceber o que lhe tinha acontecido quando sofreu o terceiro. Chissumba voltou a criar pela esquerda, Spencer recolocou a bola na zona de finalização e Camará desviou de calcanhar, completando o bis e transformando um jogo equilibrado num 0-3 em apenas oito minutos.
O intervalo foi a primeira oportunidade que Alexandre Santos teve para reorganizar uma equipa que perdera completamente o controlo daqueles momentos. A resposta apareceu logo no início da segunda parte. Pablo Ruan serviu Matchói Djaló de cabeça e o médio, com espaço para reduzir, rematou por cima.
A partir daí, o Nacional instalou-se mais vezes no meio-campo contrário e obrigou o Alverca a defender uma vantagem que na primeira parte parecera confortável. Aos 64 minutos, os madeirenses reclamaram grande penalidade numa queda de Pablo Ruan, mas Miguel Fonseca manteve a decisão de deixar jogar depois da análise do VAR.
Sérgio Ferreira reconheceu depois que a sua equipa teve de saber sofrer, e foi precisamente essa capacidade que começou a ser necessária à medida que o Nacional aumentava a presença ofensiva. Aos 81 minutos, Song cruzou, Obando cabeceou ao poste e, na recarga, fez finalmente o 1-3.
Ainda havia tempo, mas já não havia margem suficiente.
O Nacional continuou a atacar e terminou a partida com razões para lamentar aquilo que não conseguiu transformar em golos na segunda parte. Alexandre Santos considerou que a equipa inverteu completamente o jogo depois do intervalo e criou oportunidades para discutir o resultado até ao fim, mas a reação não conseguiu apagar os danos causados por aqueles oito minutos anteriores.
Para o Alverca, a diferença esteve também aí: quando teve o jogo nas mãos, foi eficaz. Chissumba abriu a porta, Dawda Camará atravessou-a duas vezes e, quando o adversário reagiu, a equipa teve capacidade para baixar, defender e proteger aquilo que já tinha construído.
O Nacional teve uma segunda parte melhor.
O Alverca teve os oito minutos que decidiram o jogo.















