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Navegação principal da época 2026/27.

Marco Silva encontrou novas ligações; Botelho da Costa encontrou uma equipa sem pernas

Treinador do Benfica destacou o entendimento entre Prestianni e Schjelderup e a capacidade coletiva para recuperar a bola. No Moreirense, o desgaste do Dragão surgiu como primeira explicação para uma noite passada quase sempre a defender.

Marco Silva saiu de Moreira de Cónegos satisfeito não apenas com os quatro golos, mas com a maneira como o Benfica os construiu. Vasco Botelho da Costa encontrou a explicação da derrota muito antes da área adversária: o Moreirense não teve a frescura necessária para pressionar, conservar a bola e acompanhar durante 90 minutos o ritmo imposto pelos encarnados.

O treinador do Benfica classificou a vitória como indiscutivelmente justa e valorizou uma primeira parte em que a equipa criou repetidamente apesar de só marcar nos descontos. Gostou particularmente da capacidade para jogar no meio-campo adversário e da reação à perda, ao ponto de destacar Pavlidis e Rafa por recuperações feitas longe das zonas onde normalmente são avaliados.

Ao intervalo, Marco Silva pediu que a vantagem mínima não alterasse a abordagem. O Benfica respondeu com dois golos em quatro minutos e permitiu então ao treinador retirar Prestianni, Pavlidis e Barreiro, dar mais tempo a Aursnes e Durán e estrear El Karouani.

Foi também a primeira noite em que Prestianni e Schjelderup começaram juntos.

Marco Silva já defendia que os dois podiam coexistir e encontrou uma confirmação expressiva. O argentino assistiu o norueguês para o segundo golo e marcou depois o terceiro, enquanto Schjelderup voltou a participar na jogada que terminou no 0-4.

O treinador enquadrou essa sintonia numa ideia mais ampla: uma equipa vive de relações entre jogadores. Não precisam de ser inseparáveis fora do campo, mas perceberem-se dentro dele multiplica aquilo que conseguem oferecer ao coletivo.

Prestianni concordou. Eleito melhor em campo, o argentino disse que se entende muito bem com Schjelderup e atribuiu o próprio momento à evolução de toda a equipa na adaptação às ideias do novo treinador. Já leva sete golos esta época, depois de ter marcado quatro nas três anteriores de águia ao peito.

Botelho da Costa tinha outro problema para explicar.

O Moreirense jogara quatro dias antes no Dragão e o treinador considerou evidente que a equipa não recuperou. Chegava tarde à pressão, perdia compactação e não conseguia conservar a bola quando finalmente a recuperava, tornando cada sequência defensiva ainda mais desgastante.

O penálti imediatamente antes do intervalo também entrou na leitura minhota. Manuel Mendonça considerou que o lance desestabilizou a equipa, que conseguira sobreviver ao domínio adversário até esse momento. A decisão é discutível, mas Botelho da Costa não a utilizou para contestar a superioridade do Benfica nem para explicar sozinho o resultado.

Essa diferença importa.

O Moreirense tinha razões para sair insatisfeito com um momento do jogo.

Não tinha razões para negar aquilo que aconteceu no resto dele.

O Benfica encontrou novas soluções.

O Moreirense precisa agora de encontrar recuperação suficiente para receber o Marítimo.