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Altimira devia ter sido expulso com 0-1 e o penálti que virou o jogo não existiu

Espen Eskås mostrou apenas amarelo ao médio leonino numa entrada alta sobre Batrakov e o VAR manteve a decisão. Na segunda parte, Jakobs ganhou posição e tocou na bola antes de Suárez cair; a grande penalidade que originou o 2-1 também deveria ter sido corrigida.

O Sporting-Galatasaray teve duas decisões de arbitragem com influência suficiente para entrarem diretamente na explicação do resultado. Aos 22 minutos, com os turcos a vencer por 1-0, Sergi Altimira devia ter sido expulso por uma entrada alta sobre Aleksey Batrakov. Aos 54, já com 1-1, Espen Eskås assinalou uma grande penalidade sobre Luis Suárez que as imagens não sustentam e que o VAR também não corrigiu. Entre os dois episódios, o Sporting beneficiou primeiro da permanência em campo de um jogador que deveria ter saído e depois da decisão que lhe permitiu completar a reviravolta.

O início da partida tinha deixado duas decisões tecnicamente simples. No 0-1, Rui Silva ainda conseguiu tocar na bola junto à linha, mas o sistema de deteção confirmou que esta entrou completamente depois do desvio em Gonçalo Inácio. O golo é válido.

Também não existe matéria para discussão aos 19 minutos, quando Suárez colocou a bola na baliza e o lance foi anulado. Maxi Araújo encontrava-se em posição irregular na construção que antecedeu a finalização, pelo que o fora de jogo foi corretamente assinalado.

A primeira falha importante surge três minutos depois.

Altimira aborda uma bola alta junto ao meio-campo com a perna esticada e os pitons dirigidos para a zona do tronco de Batrakov. O espanhol começa a ação olhando para a bola, mas vê também a aproximação do adversário e mantém o gesto, atingindo-o numa zona alta do corpo.

Eskås mostrou amarelo.

O VAR analisou e não recomendou revisão.

A fronteira regulamentar entre amarelo e vermelho está na gravidade do risco criado. Uma entrada é apenas imprudente quando o jogador ignora o perigo para o adversário; passa a jogo brusco grave, punido com expulsão, quando utiliza força excessiva ou coloca em causa a segurança de quem recebe o contacto.

Aqui, a altura da perna, a superfície de contacto dos pitons, o gesto rígido e a zona atingida levam a ação para o segundo domínio.

Vermelho.

As análises técnicas conhecidas depois do encontro reforçam essa leitura, ainda que reconheçam que o lance está próximo da fronteira que muitas vezes explica a ausência de intervenção do VAR. Antigos árbitros turcos como Fırat Aydınus, Deniz Ateş Bitnel e Serdar Akçer consideraram que havia matéria para expulsão; dois deles foram explícitos ao defender que o cartão correto em campo deveria ter sido vermelho.

Essa distinção é importante para avaliar também Christian Dingert no vídeo. O VAR não decide se vermelho seria melhor do que amarelo; decide se a avaliação feita em campo é claramente errada. É possível compreender que tenha considerado o lance suficientemente próximo da fronteira para não intervir.

Isso explica a decisão.

Não a torna a melhor.

Altimira deveria ter saído aos 22 minutos, quando o Galatasaray ainda vencia por 1-0.

O segundo erro tem uma consequência ainda mais direta no marcador.

Aos 54 minutos, Doumbia colocou Suárez nas costas da defesa, o colombiano ultrapassou Çakır e encontrou Ismail Jakobs na tentativa de prosseguir para a linha de fundo. Existe contacto entre os dois, mas contacto não basta para existir falta.

Jakobs recupera a posição, coloca o pé no terreno e consegue intervir na bola. Suárez, já em movimento e ligeiramente atrás da ação do defesa, acaba por tropeçar no adversário.

Não é Jakobs quem executa uma ação ilícita que derruba o avançado.

É o movimento de Suárez que termina no contacto depois de o defesa ter conquistado legitimamente o espaço.

Não havia penálti.

A revisão demorou cerca de dois minutos, sinal de que o lance levantou dúvidas suficientes para ser observado com atenção, mas Dingert optou por não recomendar a ida de Eskås ao monitor. Neste caso, a conclusão deve ser mais crítica do que no lance de Altimira: a sequência disponível permite distinguir entre contacto físico e uma infração e oferece fundamento suficiente para corrigir a decisão inicial.

Três antigos árbitros consultados pela imprensa turca convergiram precisamente nesse ponto. Deniz Ateş Bitnel considerou que Jakobs ganhou prioridade, colocou o pé no solo e jogou a bola antes de Suárez tropeçar nele; Bünyamin Gezer afirmou não encontrar qualquer intervenção do defesa que justificasse penálti; Fırat Aydınus classificou a decisão como claramente errada.

Okan Buruk transformou os dois episódios no centro da crítica posterior. Tem fundamento para contestá-los, embora isso não permita concluir como terminaria um jogo arbitrado de outra maneira.

Com vermelho a Altimira aos 22 minutos, o Sporting teria disputado mais de uma hora com dez jogadores e ainda estava a perder.

Sem o penálti, o 2-1 não teria surgido naquele momento.

O que aconteceria depois pertence ao contrafactual.

O que aconteceu pode ser estabelecido.

Eskås acertou na validação do primeiro golo e no fora de jogo que anulou o de Suárez.

Falhou nas duas decisões disciplinares e de área que mais podiam alterar a partida.

Altimira devia ter sido expulso.

E a reviravolta começou com um penálti que não existiu.