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FC Porto nega interferência nas nomeações, acusa «fabricação» e admite avançar pelos meios legais

Dragões dizem que apenas contestaram publicamente a escolha de Fábio Veríssimo depois de esta ser conhecida e rejeitam qualquer atuação clandestina junto do Conselho de Arbitragem. O clube liga ainda a polémica ao que considera uma sucessão de decisões que o têm prejudicado na Liga.

O FC Porto subiu o tom na discussão em torno da arbitragem portuguesa e rejeitou qualquer tentativa de associar o clube a interferências nas nomeações, garantindo que a contestação feita em janeiro à escolha de Fábio Veríssimo para o clássico da Taça de Portugal foi pública, posterior à nomeação e comunicada institucionalmente à Federação Portuguesa de Futebol.

A reação surge depois de referências televisivas ao clube durante a cobertura do processo que envolve as suspeitas levantadas por Duarte Gomes sobre o funcionamento da arbitragem e a atuação de Luciano Gonçalves. Os dragões consideram que uma posição institucional conhecida desde janeiro foi apresentada como se constituísse uma tentativa de pressão clandestina.

«O FC Porto não nomeia árbitros. Não participa no processo de nomeação de árbitros. Não interfere nas decisões do Conselho de Arbitragem», afirma o comunicado.

Segundo a versão portista, quando Fábio Veríssimo foi designado para o clássico com o Benfica existiam processos pendentes envolvendo o árbitro e o clube, razão pela qual a escolha foi considerada inadequada. A direção comunicou essa discordância ao presidente da FPF já depois de a nomeação ser pública e sustenta que reconheceu expressamente a independência do Conselho de Arbitragem.

É nessa diferença que o clube concentra a defesa: contestar uma decisão conhecida não equivale, na sua leitura, a procurar condicionar antecipadamente quem será escolhido.

O FC Porto enquadra ainda a polémica num momento em que a Polícia Judiciária investiga suspeitas relacionadas com o sistema de arbitragem e entende que está a ser colocado no centro de um processo do qual diz não fazer parte. O clube acusa alguns meios de comunicação de transformar insinuação em facto e garante estar a avaliar medidas destinadas a proteger o nome e a reputação da instituição.

A resposta não ficou limitada ao caso das nomeações.

Os dragões voltaram também a atacar a qualidade da arbitragem nesta temporada e afirmam que, em seis jornadas, apenas os encontros com Rio Ave e Arouca ficaram livres de episódios que consideram prejudiciais. A vitória por 4-1 frente ao Casa Pia voltou a alimentar esse discurso.

Depois desse encontro, várias figuras ligadas ao universo portista contestaram a atuação de José Bessa. José Fernando Rio afirmou que o clube «não pode contar com a isenção da arbitragem», enquanto Albertino e Miguel Brás da Cunha também apontaram decisões que consideraram desfavoráveis aos campeões nacionais.

Nem todas as reclamações feitas em Rio Maior tiveram posteriormente a mesma sustentação técnica, mas o episódio reforçou uma linha que a direção já tinha decidido assumir: o FC Porto não pretende deixar de comentar publicamente aquilo que entende estar errado.

O comunicado termina precisamente aí.

Não apenas a negar interferência.

Também a avisar que continuará a falar.