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Duarte Gomes diz ter reunido «provas suficientes» de condutas que o levaram a abandonar a FPF

Antigo diretor técnico nacional de arbitragem fala em situações de «grande gravidade institucional», confirma ter sido ouvido pela justiça desportiva e remete outros esclarecimentos para depois por «prudência judicial».

Duarte Gomes decidiu abandonar a direção técnica nacional de arbitragem depois de receber informações sobre situações que considerou suficientemente graves para investigar por iniciativa própria e concluir que já não tinha condições para permanecer no cargo. O antigo árbitro garante ter reunido elementos factuais e probatórios que, em vez de dissiparem as dúvidas, as tornaram maiores.

A explicação surge depois de meses em que a saída da Federação Portuguesa de Futebol esteve rodeada de suspeitas sobre o funcionamento interno da arbitragem. Duarte Gomes evita ainda identificar concretamente as condutas a que se refere ou as pessoas envolvidas, mas afasta a ideia de ter tomado a decisão com base em rumores.

Segundo explicou no podcast Hora Bolas, da RTP e Antena 1, realizou várias diligências para perceber se aquilo que lhe chegara ao conhecimento tinha fundamento. O objetivo era recuperar a tranquilidade necessária para continuar em funções; aconteceu o contrário.

«Tive elementos probatórios mais do que suficientes», afirmou, acrescentando que estavam em causa comportamentos com os quais não se revê. Sobre a eventual existência de ilícitos, entregou a resposta às autoridades: caberá à justiça determinar se essas condutas ultrapassaram também a fronteira legal.

Duarte Gomes confirmou ter sido ouvido no âmbito da justiça desportiva e, quando questionado sobre a Polícia Judiciária, optou por não responder diretamente. A invocação de «prudência judicial» e a referência a ter dado com isso «meia resposta» deixaram, porém, clara a existência de matéria que não pretende discutir enquanto decorrerem diligências.

Pedro Proença também conhece a situação. O antigo diretor técnico garantiu que o presidente da FPF está informado sobre aquilo que encontrou e sobre os motivos que o levaram a abandonar a estrutura.

O essencial da posição de Duarte Gomes está, para já, nessa fronteira. Não afirma que os factos que apurou constituam crime e não antecipa a conclusão de qualquer investigação, mas deixa de tratar a saída como uma simples divergência interna.

Saiu porque aquilo que procurou esclarecer lhe pareceu mais grave depois de o investigar.

E promete explicar o resto quando considerar que o processo já o permite.