A sociedade que comprou o Chelsea a Roman Abramovich em 2022 está perto de perder dois dos seus rostos mais conhecidos. A Clearlake Capital prepara-se para adquirir as participações de Todd Boehly e Mark Walter, reforçando uma posição que já lhe garante o controlo operacional do clube e aproximando Behdad Eghbali de uma concentração quase total do poder acionista.
Boehly e Walter possuem aproximadamente 12,8 por cento cada um e deverão vender com valorização relativamente ao investimento realizado há quatro anos. A operação está a ser negociada dentro do próprio consórcio, possibilidade prevista no acordo de aquisição apesar das limitações colocadas à venda de participações a terceiros durante os primeiros anos.
Há ainda uma diferença importante entre as informações publicadas. A Bola inclui também Hansjörg Wyss, detentor de uma posição semelhante, entre os investidores que deverão sair e aponta para uma participação final da Clearlake próxima dos 100 por cento. O Guardian dá como avançadas as negociações relativas a Boehly e Walter, mas deixa por esclarecer o destino da posição do empresário suíço.
A mudança encerraria sobretudo a convivência entre dois centros de poder que há muito deixara de ser simples. Boehly foi a figura pública da compra do clube e assumiu inicialmente grande protagonismo, mas Eghbali e a Clearlake controlam a gestão quotidiana desde 2023 e as divergências entre os dois blocos estenderam-se à estratégia desportiva e aos planos para o estádio.
A avaliação implícita na operação rondará agora os cinco mil milhões de libras, muito acima dos 2,5 mil milhões pagos pelo clube em 2022, a que se juntou um compromisso de investimento adicional de 1,75 mil milhões.
O Chelsea ganhou entretanto o Mundial de Clubes, mas atravessou também anos de forte instabilidade desportiva, sucessivas mudanças de treinador e uma política de investimento particularmente agressiva.
A eventual saída de Boehly terá por isso um significado que ultrapassa a venda de ações. O homem que simbolizou a mudança de proprietário depois de Abramovich está perto de sair do clube que ajudou a comprar, enquanto o parceiro que já mandava no funcionamento diário se prepara para mandar também no capital.















,fit(1200:675))