Durante grande parte da noite, o Vitória de Guimarães teve mais bola, criou mais oportunidades e pareceu a equipa mais próxima de encontrar maneira de vencer. Aos 90+3 minutos, porém, foi o Académico de Viseu que encontrou aquilo que o Fontelo esperava desde 19 de fevereiro de 1989: uma vitória em casa na principal divisão. Mohamed Bouldini aproveitou uma defesa incompleta de Oliwier Zych, fez o 2-1 e encerrou 37 anos de espera com uma explosão que explicou tudo aquilo que o resultado significava para lá dos três pontos.
O encontro começara com duas ausências curiosas na classificação. O Académico ainda não tinha pontuado em casa desde o regresso à Liga; o Vitória ainda não tinha conquistado qualquer ponto fora de Guimarães. Alguém teria obrigatoriamente de quebrar uma dessas sequências se o jogo não terminasse empatado.
Durante a primeira parte, os sinais apontaram mais vezes para os visitantes. Tiago Margarido mexeu no ataque e viu a equipa criar oportunidades suficientes para chegar ao intervalo na frente, começando pela maior de todas aos 14 minutos, quando Jakupovic isolou Samu e o médio rematou por cima apenas com Ewerton pela frente.
O Académico demorou 36 minutos a enquadrar verdadeiramente o primeiro remate, num cabeceamento de André Clóvis defendido por Zych, enquanto o Vitória continuava a chegar. Jakupovic desperdiçou mais três situações perto do intervalo e deixou o 0-0 como um resultado muito mais confortável para os anfitriões do que para quem tinha produzido as melhores oportunidades.
Bruno Pinheiro não tentou negar essa diferença. Reconheceu depois que o Vitória controlou mais através da posse, mas encontrou precisamente na capacidade para suportar esses períodos uma das qualidades da própria equipa: sofrer quando é necessário e atacar o espaço quando o jogo o permite.
A recompensa apareceu aos 53 minutos. André Clóvis disparou à barra e Gohi reagiu primeiro à recarga, marcando o primeiro golo do Académico no Fontelo desde o regresso ao principal escalão.
O Vitória respondeu através do banco. Gonçalo Nogueira, lançado na segunda parte, recebeu de Alanzinho e rematou de fora da área aos 67 minutos. O desvio em Nikos Michelis traiu Ewerton e repôs um empate que devolveu ao encontro a lógica aberta dos minutos seguintes.
A partir daí, houve oportunidades dos dois lados e a partida deixou de ser apenas uma questão de controlo. O Académico procurava as costas da defesa vimaranense, exatamente como Bruno Pinheiro tinha preparado, enquanto o Vitória continuava a encontrar espaço suficiente para acreditar que podia finalmente conquistar pontos fora de casa.
Foi o banco viseense que decidiu.
Já perto dos 90 minutos, Bruno Pinheiro refrescou a frente porque Robinho e André Clóvis davam sinais de desgaste. Bouldini entrou nessa fase final e, aos 90+3, apareceu no centro da área depois de Mortimer obrigar Zych a uma defesa incompleta. O marroquino não desperdiçou a segunda bola.
O jogo ainda teve tempo para terminar em tensão. Alioune Ndoye foi expulso nos descontos depois de atingir Alejandro Mestanza e a confusão que se seguiu junto ao banco vimaranense terminou também com cartão vermelho para Fernando Meira.
Não foi, contudo, na arbitragem que se escreveu a história principal da noite. O Vitória pode lamentar o desperdício, sobretudo numa primeira parte em que teve ocasiões para construir outro resultado; o Académico encontrou eficácia nos momentos em que o adversário não teve e uma capacidade de resistência que Bruno Pinheiro colocou acima do brilho individual.
«Podemos não ser os melhores do mundo a jogar», resumiu o treinador, antes de falar da alma da equipa.
No Fontelo, essa alma encontrou uma data para ficar.
19 de fevereiro de 1989 deixou de ser a última referência.
A partir de agora também existe 12 de setembro de 2026.















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