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Bernabéu assobia os golos que não chegam, Mourinho olha para as 15 ocasiões e recusa mudar o caminho

Real Madrid marcou apenas duas vezes frente a Betis e Inter apesar de criar 15 oportunidades claras. Adeptos mostram impaciência, mas equipa técnica entende que o problema está na finalização e não na construção ofensiva.

O Real Madrid atravessa um problema curioso para uma equipa que continua a chegar repetidamente à baliza adversária: cria oportunidades suficientes para marcar muito, mas está a marcar pouco. Nos dois últimos encontros, frente a Betis e Inter, produziu 15 ocasiões claras e conseguiu transformar apenas duas em golo.

No Bernabéu, a discrepância já começou a produzir assobios. Os adeptos querem uma equipa mais contundente e a vitória por 2-1 sobre o Inter não eliminou a sensação deixada pela derrota anterior diante do Betis nem os períodos em que o Real precisou de demasiadas oportunidades para chegar ao marcador.

Internamente, José Mourinho e o plantel fazem uma leitura diferente. A equipa continua a encontrar espaços em transição, consegue instalar-se perto da área e coloca os avançados em situações de finalização com frequência suficiente para que o treinador não veja razões para modificar a estrutura ofensiva.

O problema, nesta interpretação, está no último gesto. Mourinho considera a eficácia uma variável com oscilações naturais ao longo de uma época e prefere preservar os mecanismos que estão a criar ocasiões em vez de alterar o modelo em reação a uma fase de menor concretização.

A confiança tem lógica enquanto as oportunidades continuarem a aparecer. Também contém um risco: no Real Madrid, o tempo entre produzir futebol e produzir golos raramente é concedido com grande generosidade.

O Bernabéu já começou a lembrar isso.

Mourinho responde com os números da criação.

Os adeptos estão a responder com os números do marcador.