O Benfica ganhou por 4-0 em Moreira de Cónegos depois de passar quase toda a primeira parte a procurar um golo que a superioridade já justificava e encontrar, no segundo tempo, o espaço que transformou domínio em goleada. Pavlidis abriu o marcador de penálti aos 45+4 minutos, Schjelderup fez o segundo aos 55, Prestianni marcou quatro minutos depois e Aursnes encerrou a conta aos 72.
Marco Silva juntou Prestianni e Schjelderup no onze pela primeira vez esta época e encontrou aí a principal novidade da noite. O argentino apareceu com maior liberdade pelo corredor central e pela esquerda, o norueguês deu largura e profundidade e Dahl sustentou os movimentos dos dois, criando uma zona de combinação que o Moreirense teve enormes dificuldades em controlar.
O Benfica entrou forte e aos dez minutos já tinha acumulado três ocasiões claras. Lenglet procurava constantemente o passe longo, Rafa aparecia entre linhas e Pavlidis recuava para ligar o jogo antes de atacar novamente a área. André Ferreira foi adiando o golo com sucessivas intervenções e permitiu ao Moreirense conservar durante muito tempo um resultado que o jogo não refletia.
A equipa de Vasco Botelho da Costa defendia com aplicação, mas quase não conseguia sair. A recuperação da bola raramente era seguida de posse suficiente para afastar o Benfica e os minhotos voltavam rapidamente a ficar sujeitos à pressão. Landerson foi quem mais conseguiu romper esse padrão e Parsemain ainda obrigou Samuel Soares a sair da área numa das poucas situações em que a defesa encarnada ficou exposta.
Quando o intervalo se aproximava sem golos, surgiu o lance que desbloqueou o marcador. Lenglet baixou a cabeça para disputar uma bola que Parsemain procurava jogar com o pé e acabou atingido. Fábio Veríssimo deixou inicialmente seguir, foi chamado pelo VAR e assinalou grande penalidade. É uma decisão discutível, porque o movimento do francês contribui decisivamente para provocar o contacto, e manter o jogo teria sido uma solução perfeitamente defensável.
Pavlidis não discutiu o lance. Marcou.
O Moreirense regressou da pausa obrigado a relacionar-se de outra maneira com o jogo e chegou duas vezes à frente nos primeiros minutos, mas a pequena abertura que isso provocou foi suficiente para o Benfica encontrar aquilo que procurara durante toda a primeira parte.
Aos 55 minutos, Prestianni ganhou espaço à esquerda e serviu Schjelderup para o 0-2. Quatro minutos depois, o argentino arrancou desde longe, ultrapassou Gilberto Batista e terminou ele próprio a jogada. Em quatro minutos, a primeira titularidade conjunta dos dois tinha produzido um golo para cada lado.
A partir daí desapareceu a resistência que ainda existira na primeira parte. O Benfica pôde circular com maior liberdade, Marco Silva começou a gerir jogadores pensando já na receção ao Gil Vicente e Aursnes entrou para marcar o quarto depois de nova participação de Schjelderup na construção.
El Karouani teve ainda os primeiros minutos pelo Benfica e Durán voltou a somar tempo competitivo, enquanto o Moreirense procurava apenas recuperar alguma estabilidade depois de um período em que o jogo lhe fugira completamente.
O 4-0 acabou por traduzir uma diferença que já existia antes de o marcador a mostrar. O Benfica teve mais bola, pressionou melhor, criou continuamente e quase não permitiu ao adversário construir ataques prolongados.
Mas a maior notícia futebolística de Moreira de Cónegos talvez esteja menos nos quatro golos do que na forma como dois jogadores começaram a relacionar-se.
Prestianni e Schjelderup já tinham mostrado compatibilidade.
Desta vez começaram juntos.
E o Benfica descobriu uma nova maneira de atacar.















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