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À quinta jornada, o campeonato já começa a cobrar o que cada equipa repete

Cinco jornadas não chegam para decidir um campeonato, mas já permitem distinguir um acidente de uma tendência. O FC Porto continua a ganhar, o Santa Clara continua sem perder, o Famalicão continua sem vencer, o Casa Pia conquistou finalmente um ponto sem conseguir ainda marcar e o Vitória chegou aos 96 remates para apenas três golos. A quinta jornada não criou estas histórias; deu-lhes continuidade suficiente para começarem a significar alguma coisa.

O líder encontrou no Moreirense uma dificuldade que ainda não conhecia. Dinis Pinto marcou o primeiro golo sofrido pelo FC Porto nesta Liga e obrigou a equipa de Francesco Farioli a sair de um cenário de controlo para outro de reação. Os dragões responderam aumentando o ritmo, alargando o campo e encontrando em William Gomes a principal forma de desequilíbrio, primeiro na assistência para Bednarek e depois no golo que completou a reviravolta. É uma informação nova sobre uma equipa que até agora tinha ganho sobretudo pela estabilidade: quando o jogo lhe fugiu, soube recuperá-lo.

A vitória, porém, ficou atravessada por um erro de arbitragem impossível de retirar da leitura do encontro. William devia ter sido expulso aos 17 minutos depois de atingir Francisco Domingues na face com o antebraço e acabou por participar diretamente nos dois golos portistas. Não é possível saber o que teria acontecido com o FC Porto reduzido a dez durante mais de uma hora, mas também não é necessário inventar esse jogo para estabelecer o que aconteceu neste: um jogador que não deveria ter permanecido em campo teve influência direta na vitória.

O final da partida retirou depois importância a quase tudo isso. Victor Froholdt perdeu os sentidos depois de ser atingido na cabeça por Guilherme Liberato, que desta vez acabou corretamente expulso após intervenção do VAR. O dinamarquês sofreu uma concussão e um traumatismo cranioencefálico ligeiro, passou a noite em observação e iniciou um regresso que terá de obedecer ao corpo e não ao calendário. Bednarek, que antes marcara o empate, foi também dos primeiros a perceber a gravidade da situação e a tentar proteger o companheiro até à chegada da equipa médica. Durante alguns minutos, o Dragão teve a hierarquia certa: primeiro estava um jogador inconsciente; o campeonato podia esperar.

Também o Sporting venceu, mas a quinta jornada permitiu reconhecer uma evolução que começou precisamente nos problemas das primeiras. Na Reboleira deixou escapar um 0-2, diante do Vitória transformou um 3-0 num final desconfortável e só mais tarde começou a mostrar capacidade para gerir uma vantagem sem perder equilíbrio. Frente ao Nacional voltou a fazê-lo: controlou, marcou, mexeu na equipa já a pensar na Liga dos Campeões e não transformou gestão em passividade.

O primeiro golo nasceu, contudo, de outra decisão arbitral errada. Maxi Araújo procurou o contacto com Leo Santos e João Pinheiro assinalou uma grande penalidade que não existia, permitindo a Luis Suárez desbloquear aos 32 minutos um jogo que o Nacional conseguira manter fechado. O erro não transforma o Sporting numa equipa inferior nem explica sozinho o 2-0; significa apenas que a superioridade leonina e a influência da arbitragem podem coexistir na mesma análise. Depois, Debast encontrou Suárez em profundidade e o colombiano preferiu oferecer o segundo a Flávio Gonçalves, numa jogada que confirmou tanto a qualidade individual como o melhor controlo coletivo dos leões.

Se há uma equipa que já merece ser retirada do espaço reservado às surpresas, é o Santa Clara. Onze pontos em cinco jornadas, nenhuma derrota e agora um 4-0 ao Rio Ave construído desde os primeiros minutos não formam um acaso particularmente prolongado. A equipa de Petit joga com intensidade, reage depressa à perda, tem movimentos ofensivos coordenados e começa a transformar estabilidade em ambição. O Rio Ave fez o percurso contrário nas duas últimas jornadas: sofreu quatro do Sporting e outros quatro nos Açores, sem marcar qualquer golo. Oito sofridos em dois jogos já exigem mais do que a explicação de dois adversários fortes.

O Braga continua com uma classificação condicionada pelos jogos em atraso, mas também começa a revelar uma característica útil: consegue corrigir partidas dentro da própria partida. Na jornada anterior encontrou no banco a solução para o dérbi; em Alverca passou 45 minutos a ter muita bola e pouco perigo até perceber que circulação sem aceleração estava apenas a facilitar a organização adversária. Demir Tiknaz passou a romper linhas, Pau Víctor marcou duas vezes em sete minutos e o 1-0 tornou-se 1-2. O Alverca, pelo contrário, voltou a aproximar-se da primeira vitória sem conseguir guardá-la. Depois de ter deixado escapar o Santa Clara aos 87 minutos na ronda anterior, voltou a estar em vantagem e voltou a terminar sem os três pontos. A dificuldade já não está em chegar à frente; está em permanecer lá.

Na Reboleira repetiram-se dois comportamentos igualmente reconhecíveis. O Famalicão fez uma excelente primeira parte, marcou praticamente no primeiro minuto e voltou a mostrar períodos de futebol superiores àquilo que a classificação sugere. O Estrela, como já acontecera com Sporting e Nacional, recusou aceitar a desvantagem como destino, mudou com as substituições de Pepa e virou por Antonetti e Scholze. Koutsias ainda salvou o 2-2 de penálti, mas o essencial permanece: o Estrela já demonstrou várias vezes que sabe regressar aos jogos; o Famalicão leva cinco jornadas a demonstrar que jogar bem durante períodos consideráveis não chega para ganhar. Três empates, duas derrotas e nenhuma vitória começam a exigir mais do que boas sensações.

Em Guimarães, a diferença entre produzir e concretizar chegou quase ao absurdo. O Vitória terminou com 29 remates, 17 cantos e duas bolas nos ferros, mas Ivan Mandic, lançado inesperadamente pela lesão de André Gomes, segurou o 0-0 que deu ao Casa Pia o primeiro ponto da época. Para os lisboetas é uma pequena mudança de estado: continuam sem ganhar e sem marcar, mas deixaram finalmente o zero na classificação. Para o Vitória, o problema é maior porque já atravessa cinco jornadas. São 96 remates, apenas três golos e quatro pontos; quando uma equipa chega tantas vezes à zona de decisão e falha repetidamente a transformação desse domínio em resultados, o azar deixa de ser explicação suficiente.

Barcelos ofereceu o negativo perfeito dessa fotografia. O Gil Vicente rematou 34 vezes, o Académico de Viseu apenas seis, mas João Guilherme marcou aos quatro minutos e Ewerton protegeu depois uma vantagem que valeu aos viseenses a primeira vitória desde o regresso à Liga, 37 anos depois. O Académico não ganhou porque produziu mais, ganhou porque conseguiu dar valor absoluto àquilo que produziu primeiro e teve organização e resistência para sobreviver ao que veio depois. Para uma equipa promovida, também é assim que se constroem pontos capazes de decidir uma permanência.

O Benfica passou pela Madeira de uma forma menos espetacular do que o 3-0 sugere, mas talvez mais útil para perceber a sua evolução. Leandro Barreiro marcou cedo, a lesão de Bah e o estado do relvado ajudaram o Marítimo a tornar o jogo mais dividido e houve um período em que as águias perderam fluidez sem perder verdadeiramente o controlo do resultado. O Marítimo conseguiu crescer, mas não conseguiu criar a ocasião que transformasse esse crescimento numa ameaça. Depois, Barreiro voltou a marcar e Prestianni fechou o jogo. O Benfica continua a integrar reforços, mas uma parte importante da melhoria está a surgir de jogadores que já pertenciam ao plantel e agora oferecem mais.

A jornada terminou na Amoreira com outro 0-0 em que o resultado contou apenas uma parte da história. O Estoril esteve perto de encontrar uma vitória de que precisa, acertou nos ferros e encontrou em Arruabarrena a última barreira; o Arouca também teve momentos para decidir e acabou por conservar um ponto que mantém um início de campeonato competitivo. Para o Estoril, tal como para Vitória e Famalicão, começa a surgir uma pergunta incómoda: durante quanto tempo uma equipa pode continuar a dizer que joga para mais do que aquilo que os resultados mostram antes de a distância entre as duas coisas se tornar ela própria o problema?

É aí que a quinta jornada deixa de ser apenas uma soma de nove jogos. O FC Porto acrescentou capacidade de reação à estabilidade que já mostrava, embora uma decisão arbitral errada tenha interferido diretamente na vitória. O Sporting confirmou que está a aprender a viver melhor com as vantagens, mas beneficiou de outro erro para abrir o marcador. O Santa Clara já transformou o bom início numa afirmação que merece ser tratada pelo futebol que produz. Braga, Estrela e Académico encontraram maneiras diferentes de alterar jogos que lhes estavam a criar dificuldades.

Do outro lado, Famalicão, Vitória, Alverca, Casa Pia, Nacional, Rio Ave e Estoril começam a ter problemas reconhecíveis, ainda com tempo para os corrigir, mas já com menos margem para os chamar circunstanciais.

É cedo para sentenças.

Já não é cedo para consequências.