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A quarta jornada começou a separar quem corrige de quem repete

Quatro jornadas são poucas para decidir aquilo que uma equipa será em maio. Já são suficientes para começar a perceber aquilo que algumas equipas continuam a fazer quando o jogo lhes coloca o mesmo problema pela segunda ou terceira vez.

A Jornada 04 deixou precisamente essa primeira separação. Não entre candidatos e condenados, nem sequer entre bons e maus. Entre equipas que estão a conseguir corrigir o que lhes acontece e outras que começam a repetir dificuldades suficientes para que deixem de poder ser tratadas como acidentes.

O Sporting ofereceu o exemplo mais evidente.

Em Vila do Conde não ganhou apenas por 4-0. Corrigiu uma questão que tinha acompanhado o início da época: a dificuldade para conservar durante todo o jogo o equilíbrio que consegue construir nos melhores períodos. Frente ao Rio Ave encontrou-o cedo, resolveu praticamente o encontro antes do intervalo e, desta vez, a vantagem não produziu uma equipa partida ou menos atenta.

Flávio Gonçalves abriu caminho, Geny Catamo ampliou e Luis Suárez confirmou depois uma superioridade que já estava instalada. A importância da goleada está menos nos quatro golos do que na ausência do problema que tinha ficado visível anteriormente.

O Sporting já tinha mostrado que consegue atacar. Nesta jornada mostrou melhor que também consegue não se perder depois de atacar bem.

O FC Porto deixou um sinal diferente.

Em Viseu não precisou de descobrir uma resposta durante o encontro porque entrou a impor imediatamente as condições em que queria jogá-lo. O 0-3 foi construído através de uma diferença de intensidade que o próprio Académico reconheceu depois: poucos duelos ganhos, pouca agressividade e demasiada liberdade concedida a uma equipa que procura precisamente os primeiros minutos para colocar o adversário numa posição de perseguição.

O primeiro golo ficou rodeado de protestos por um contacto no início da jogada e colocou novamente a arbitragem dentro da discussão. Há contacto e há matéria para debate sobre o critério. Não há, porém, elementos suficientes para transformar esse episódio, por si só, na explicação do jogo.

Essa distinção interessa.

Um erro de arbitragem determinante deve entrar no centro de uma leitura da jornada quando altera aquilo que a competição produziu e quando os factos o sustentam. Uma decisão discutida não pode receber automaticamente o mesmo estatuto. Em Viseu, a discussão existiu; a superioridade portista também. Confundir uma com a outra impediria perceber o essencial do encontro.

O Benfica encontrou na Luz outro tipo de resistência.

O Estoril baixou, fechou espaços e obrigou a equipa de Marco Silva a ter paciência. O Benfica teve-a. Circulou, insistiu, encontrou Pavlidis dentro da área e depois Lenglet de fora dela. Durante quase todo o jogo produziu muito mais do que recebeu.

E voltou a deixar o adversário regressar ao resultado quase sem o ter deixado entrar no jogo.

O 2-1 de Begraoui não apaga a superioridade benfiquista, mas repete uma fragilidade que já merece atenção: a enorme diferença entre aquilo que os adversários precisam de criar e aquilo que conseguem retirar dessas poucas ocasiões. O Benfica está a controlar melhor os jogos do que os resultados finais por vezes sugerem. Enquanto essa distância existir, partidas dominadas continuarão a poder terminar em minutos de ansiedade.

A estreia antecipada de João Palhinha, provocada pela lesão de Barrenechea, acrescentou outra resposta positiva. Ainda longe de dominar todas as relações com bola da nova equipa, o médio introduziu imediatamente intensidade, recuperação e uma relação emocional com as bancadas que poucas estreias conseguem produzir.

A jornada, porém, foi particularmente interessante quando se saiu dos candidatos habituais.

O Arouca começou por ser ferido exatamente no espaço que deixava quando pressionava e viu o Marítimo chegar ao 0-1. A resposta não foi continuar a executar o mesmo plano com mais força. Foi alterá-lo.

A pressão mudou, a proteção à transição melhorou e o jogo mudou com ela. Van Ee empatou ainda antes do intervalo e Barbero completou a reviravolta. O 2-1 vale três pontos; a capacidade para identificar dentro do próprio jogo onde estava o problema pode valer bastante mais ao longo da época.

Também o Braga ganhou através de uma correção.

O Vitória conseguiu durante largos períodos aquilo que pretendia no dérbi: fechar o centro, retirar profundidade e obrigar os arsenalistas a circular sem encontrar a ação que desmontasse o bloco. O Braga foi superior territorialmente, mas não transformava essa superioridade em vantagem.

A resposta apareceu no banco.

Diego Rodrigues entrou aos 72 minutos e, sete minutos depois, fez precisamente aquilo que o jogo estava a pedir: recebeu entre linhas, não devolveu a bola à circulação e atacou imediatamente a pequena janela que apareceu diante dele. O remate decidiu um dérbi que estava a ser jogado em margens mínimas.

Num confronto cuja história é feita tantas vezes dessas margens, o Braga venceu porque continuou estável tempo suficiente para que uma solução nova tivesse oportunidade de aparecer.

Há depois equipas que ainda procuram essa capacidade de correção.

O Alverca esteve perto da primeira vitória e voltou a não a conseguir. Vivaldo Semedo marcou depois de já ter visto um golo anulado, mas as alterações do Santa Clara trouxeram os açorianos novamente para dentro do encontro e Brenner empatou aos 87 minutos.

O Santa Clara preservou assim a invencibilidade. O Alverca voltou a sair de um jogo em que teve razões para acreditar que chegaria finalmente aos três pontos sem os conseguir guardar.

Em Famalicão, o problema foi outro e já não é novo.

A equipa quis mais, teve mais iniciativa e considerou ter feito a melhor exibição da época, mas o Gil Vicente fechou o espaço com competência suficiente para conceder apenas um remate enquadrado. O 0-0 prolonga duas realidades opostas: o Famalicão continua sem vencer e o Gil Vicente continua sem perder nem sofrer golos.

Aqui não faltou vontade.

Faltou transformar intenção em perigo.

O Casa Pia está numa situação ainda mais severa. Teve bola, rematou, acertou duas vezes nos ferros e perdeu por 1-0 com o Moreirense devido a uma finalização extraordinária de Francisco Domingues.

Um jogo isolado permitiria falar de azar.

Quatro jornadas, quatro derrotas e nenhum golo obrigam a procurar uma explicação maior. A posse já não serve como prova de controlo quando não produz eficácia e quando um único momento do adversário é suficiente para decidir uma partida.

O fundo da classificação começou aqui a deixar de ser apenas uma fotografia de agosto.

No Nacional, a consequência foi ainda mais rápida.

Os madeirenses chegaram cedo à vantagem frente ao Estrela da Amadora, tiveram momentos em que poderiam ter controlado o encontro e voltaram a acelerar quando o jogo lhes oferecia precisamente a possibilidade contrária. Duas perdas de bola abriram transições, o Estrela virou e Antonetti acabou por decidir o 3-2 aos 83 minutos.

Horas depois, João Gião deixou o comando técnico.

É cedo, talvez demasiado cedo, para conhecer tudo sobre uma equipa. Não foi cedo demais para o primeiro treinador perder o lugar.

Esse é provavelmente o sinal mais forte desta quarta jornada.

O campeonato continua no princípio, mas já começou a cobrar a repetição.

O Sporting corrigiu um problema e goleou. O Arouca corrigiu durante o jogo e virou. O Braga procurou outra solução e encontrou-a no banco. O FC Porto voltou a impor o próprio ritmo antes de precisar de reagir. Benfica venceu, mas recebeu outro aviso sobre a facilidade com que um adversário pode regressar a uma partida que quase não disputou.

Mais abaixo, as dificuldades começam a adquirir nomes reconhecíveis: o Famalicão cria pouco do domínio que procura, o Alverca ainda não consegue fechar a primeira vitória, o Casa Pia não marca e o Nacional já mudou de treinador.

Ainda não há sentenças.

Há algo mais importante nesta fase: começam a existir padrões.

E, a partir da quarta jornada, chamar-lhes apenas coincidências começa a ser uma forma de não olhar para o campeonato.